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Padres casados querem ajudar Igreja

Movimento Fraternitas, que reúne padres dispensados do exercício, quer uma Igreja mais evangélica.

13 de outubro de 2019 às 06:00

"É preciso a Igreja ser mais evangélica". O alerta é de Jorge da Silva Ribeiro, presidente do movimento Fraternitas, que reúne padres dispensados do exercício, para quem a obrigatoriedade de celibato aos sacerdotes "é uma infidelidade ao espírito primitivo da Igreja Católica".

"E deixa a Igreja à míngua", acrescentou ao CM, à margem de um encontro de padres casados, que termina hoje, no Seminário do Cristo Rei, em Vila Nova de Gaia.

"Ir à missa ao domingo era um mandamento da Santa Igreja. Mas agora há pessoas que não podem porque não há padres. Acabou-se o pecado mortal que era não ir à missa? Sejamos coerentes", comentou Jorge da Silva Ribeiro.

"Não faz sentido que alguém que se sinta vocacionado para servir a Igreja como presbítero tenha que ter a opção pelo celibato. O problema está em vincular um compromisso de vida celibatária à função sacerdotal", concretizou Manuel Ribeiro, também do Fraternitas e padre casado há 26 anos.

"O grande problema é que as comunidades são servidas por presbíteros que são dados por entidades superiores às comunidades e a grande mudança, que ainda estamos longe de efetivar, é as comunidades implicarem-se na escolha dos seus líderes", acrescentou ao CM.

Um dos casais presentes no encontro de padres casados é Judite e Manuel Paiva, de 77 e 97 anos, casados há quase meio século.

"A falta de padres, para a qual uma das razões será o celibato, prejudica a Igreja porque muitos cristãos ficam sem eucaristia e a eucaristia é que faz a Igreja", afirmou o sacerdote, natural de Oliveira de Azeméis. Já a mulher, enfermeira e obstetra, recordou que, aquando do casamento, viveu "tempos difíceis", em que "era vista como alguém que roubou um padre à Igreja".

"Quando Jesus Cristo ordenou os apóstolos, uns eram casados e outros não. Portanto, o problema do celibato não existiu. Não faz sentido nenhum que exista hoje", concluiu Manuel Paiva.

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