"Quanto tempo demora uma criança desta idade a entrar em hipotermia em condições destas?", questionou uma mãe.
Denúncias de "falta de bom senso" e riscos de hipotermia marcaram a última jornada da Liga Carlos Alberto, com pais a acusar a Associação de Futebol do Porto de "irresponsabilidade" ao manter jogos dos sub-8 e sub-9 sob temporal.
O que deveria ser uma jornada de promoção do desporto transformou-se, dizem os pais, num cenário de "irresponsabilidade" e "falta de bom senso" com crianças entre os seis e os nove anos a jogar sob condições climatéricas extremas no sábado.
As denúncias apontam para falta de segurança, infraestruturas inadequadas e o receio de multas para eventuais ausências nos jogos.
Questionada pela agência Lusa, a AF Porto explica que a decisão de não cancelar os encontros se baseou em contactos diretos com a Proteção Civil, afastando o cenário de multas.
Apesar dos alertas meteorológicos de chuva persistente e vento forte que fustigaram o Norte, aquela associação manteve a Liga Carlos Alberto. O resultado, segundo os pais, foi colocar em risco a integridade física de dezenas de atletas dos escalões de sub-8 e sub-9.
Para Vanessa do Bem, mãe de Alexandre (sete anos, sub-8 do SC Castêlo da Maia), a decisão de manter os jogos foi "incompreensível perante rajadas de vento de 50 km/h e crianças com menos de 30 quilos".
"Quanto tempo demora uma criança desta idade a entrar em hipotermia em condições destas?", questionou-se.
Vanessa, que é juíza de ginástica, traça um paralelo contundente: " É de facto inacreditável. Eu ajuízo em pavilhões e, em circunstâncias menores de frio, não permitiria a prova. Aqui, vi balizas mal presas a moverem-se na horizontal cada vez que o vento soprava ou alguém chutava. Foi assustador."
Rosa Costa, mãe de um atleta de oito anos também do SC Câstelo da Maia, viu o filho sucumbir fisicamente.
"Ele jogou o primeiro jogo, mas no fim disse que não aguentava mais, que lhe doíam muito as pernas", afirmou, explicando que a responsabilidade de parar um jogo não devia ser das crianças.
A indignação recai ainda sobre o novo modelo de "encontros concentrados", orientação da UEFA, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Com este formato, as equipas reúnem-se num local único para realizar vários jogos de 20 minutos de forma sucessiva.
Os testemunhos apontam ainda que, em alguns encontros, o segundo jogo da jornada só foi cancelado após "pressão direta" de pais e clubes, revelando uma falta de critério uniforme por parte da organização, com alguns árbitros a considerar que havia condições para a realização da partida.
Fonte da Associação Desportiva de Carvalhosa explica o formato, alertando para a possibilidade de multas em caso de ausência: "Os miúdos fazem 20 minutos, param outros tantos e voltam a jogar. No total, fazem cerca de 80 minutos. Um profissional treinado faz 90. No sábado, a sensação térmica era de três graus. Vi miúdos a chorar, encolhidos, a pedir às mães para os tirarem dali".
Daniela Rodrigues, mãe de um atleta de oito anos dos sub-9 do SC Câstelo da Maia, explica o perigo deste formato no inverno: "Os miúdos fazem um jogo, param, arrefecem com a roupa molhada e depois têm de voltar a entrar. O tempo de espera fez com que ficassem desconfortáveis e em risco de hipotermia."
Elsa Maia, mãe do guarda-redes do SC do Castêlo da Maia, corrobora a falta de condições: "Pediu ao treinador para ir para o balneário mais cedo, para trocar de roupa, porque disse que estava cheio de frio e não conseguia jogar. E ele sendo guarda-redes está ali parado o tempo todo e ainda é pior".
No futebol de formação, as queixas estendem-se à organização logística em recintos como o de Freamunde, onde pais denunciam a concentração de dezenas de crianças num espaço sem as devidas condições, com vários problemas, como a escassez de balneários ou a falta de água quente.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da AF Porto explicou que a decisão de não cancelar os encontros se baseou em contactos diretos com a Proteção Civil.
"Contactámos um comandante regional para perceber se haveria condições. A indicação foi de que o pior cenário ocorreria de Coimbra para baixo. Baseámo-nos numa autoridade credenciada e tivemos o aval para realizar o torneio", justificou a mesma fonte.
Relativamente às críticas sobre as precárias condições logísticas em Freamunde, a associação adianta que terá ocorrido apenas um "problema momentâneo" com a água quente, garantindo, quanto à questão da lotação, que "havia dois balneários para oito equipas", cumprindo o regulamento aprovado em Assembleia Geral.
A AF Porto afasta ainda qualquer cenário de sanções financeiras.
"Estamos a falar de uma competição lúdica. Certamente não haverá multas associadas a clubes que, por circunstâncias claras, tiraram os seus atletas do campo. É uma questão de bom senso da direção e isso não está de todo em cima da mesa", assegurou a mesma fonte, reforçando que o objetivo é "promover a prática do futebol" e não penalizar os clubes.
Quanto à falta de um critério uniforme dos árbitros no terreno, a AF Porto defende a autonomia dos juízes, mas admite, contudo, adotar no futuro o modelo já usado no walking football, onde os encontros são preventivamente cancelados perante previsões de mau tempo.
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