Polónia, Eslovénia, Portugal e Malta opõem-se a quaisquer objetivos vinculativos para reduzir o desperdício de alimentos segundo inquérito.
Portugal é um dos países da União Europeia (UE) que se opõe a objetivos juridicamente vinculativos de redução de desperdícios alimentares até 2030, matéria sobre a qual a Comissão Europeia deve ainda este ano apresentar uma proposta.
De acordo com um comunicado esta segunda-feira divulgado pelo Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), uma rede europeia de mais de 170 organizações ligadas ao ambiente, um inquérito junto dos governos dos Estados membros mostrou que Portugal, a Polónia, a Eslovénia e Malta se opõem a quaisquer objetivos vinculativos para reduzir o desperdício de alimentos.
Segundo os resultados esta segunda-feira publicados pelo EEB e pela organização internacional "Feedback EU", que tem como objetivo estimular e fornecer eficiência energética através de mudanças comportamentais, Roménia, Países Baixos, Luxemburgo e Estónia apoiam a introdução de objetivos juridicamente vinculativos para os Estados membros, no sentido de o desperdício alimentar ser reduzido em 50% (da exploração agrícola à mesa) até 2030.
Segundo o inquérito sobre as posições dos Estados, outros países, como a Áustria, Dinamarca, República Checa e Croácia também expressaram apoio à introdução de objetivos vinculativos sobre o desperdício alimentar, mas para já não se comprometem com a meta dos 50% até 2030.
A Grécia e a Letónia também se opõem à fixação dos objetivos de 50% e preferem objetivos mais baixos, apenas para partes limitadas da cadeia de abastecimento.
Outros Estados membros estão ainda neutros ou indecisos, segundo o inquérito, enviado aos ministérios de cada governo com a responsabilidade política pela matéria.
O EEB nota que a Comissão Europeia deve apresentar uma proposta de objetivos de desperdícios alimentares legalmente vinculativos para os Estados membros até final do ano, para adoção formal em 2023.
As negociações com o Parlamento Europeu e o Conselho decidirão a proposta final. Se for adotada será a primeira legislação deste género no mundo.
Quase meia centena de organizações de 20 países da União Europeia já assinaram uma declaração apelando aos decisores políticos para que criem legislação para reduzir para metade o desperdício alimentar em toda a cadeia (do prado ao prato) até 2030
Estima-se que a UE desperdiça 140,6 milhões de toneladas de alimentos por ano - mais alimentos do que importa, segundo um relatório da organização ambiental "Feedback EU" publicado em setembro.
O desperdício alimentar custa às empresas e aos agregados familiares da UE cerca de 143 mil milhões de euros por ano, e causam pelo menos 6% das emissões totais de gases com efeito de estufa da UE.
Frank Mechielsen, diretor executivo da "Feedback EU", citado no comunicado, louva os países que apoiam a redução de 50% do desperdício e acrescenta: "É vergonhoso que países como a Polónia, Malta, Eslovénia e Portugal se oponham atualmente aos objetivos de desperdício alimentar".
"Numa altura de preços elevados dos alimentos e de crise climática crescente, enquanto a UE está potencialmente a deitar fora mais alimentos do que importa, é vital que a Comissão e outros países da UE" sigam países como a Roménia, Países Baixos, Luxemburgo e Estónia, diz.
Frank Mechielsen salienta ainda que reduzir para metade o desperdício alimentar em toda a cadeia de abastecimento até 2030 é "uma enorme oportunidade para combater as alterações climáticas e melhorar a segurança alimentar".
Piotr Barczak, do EEB, também citado no comunicado, recorda que todos os Estados membros se comprometeram, em 2013, a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, entre eles o 12,3, de reduzir o desperdício alimentar até 50% em 2030. Dez anos depois muitos não só não progrediram como aumentaram o desperdício, e alguns ainda "se opõem abertamente a objetivos vinculativos" ou recusam-se a responder às perguntas da organização. "Estes governos não são responsáveis", acusa.
De acordo com os dados das duas organizações em 2021 a UE importou quase 138 milhões de toneladas de produtos agrícolas, com um custo de 150 mil milhões de euros. O relatório "No Time to Waste", estima que a UE desperdiça 140,6 milhões de toneladas de alimentos por ano.
A quantidade de trigo desperdiçada na UE é equivalente a aproximadamente metade das exportações de trigo da Ucrânia, dizem os dados divulgados, estimando que uma redução para metade do desperdício alimentar da UE até 2030 pouparia 4,7 milhões de hectares de terras agrícolas.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados em alguma fase da cadeia de abastecimento alimentar, entre a produção e o consumo.
A 29 de setembro, Dia Mundial de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar, foram divulgados em Lisboa dados que indicam que cada português desperdiça por ano 183 quilos de alimentos, mais 10 quilos do que a média da UE. Dados oficiais referiam que em 2020 foram desperdiçadas em Portugal 1,89 milhões de toneladas de alimentos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.