Povoação fica entre o canal central do rio Mondego e o chamado leito abandonado, a água nos campos em redor subiu cerca de um metro de altura, desde a manhã de segunda-feira.
Povoação de Ereira em Montemor-o-Velho arrisca ficar hoje isolada pela água
A povoação de Ereira, na margem direita do Rio Mondego, junto a Montemor-o-Velho, corre o risco de ficar isolada, ao final da tarde desta terça-feira, face à subida do nível das águas, assumiram as autoridades locais.
A reportagem da agência Lusa constatou que na povoação, que fica entre o canal central do rio Mondego e o chamado leito abandonado, a água nos campos em redor subiu cerca de um metro de altura, desde a manhã de segunda-feira, e chegou à estrada fronteira ao largo da igreja, que, por sua vez, serve de ligação a Montemor-o-Velho (para nordeste) e Verride (para sul).
A circulação naquela estrada, que se mantinha aberta e alvo de acompanhamento próximo por meios dos bombeiros, fazia-se, ao início da tarde desta terça-feira, com cuidados redobrados, já com água no asfalto, em ambas as vias. O acesso é o único que resta à freguesia de 650 habitantes, já que a ligação à antiga estrada nacional 111 e nó da autoestrada A14 está vedado, também pela subida das águas, desde a semana passada.
Ouvido pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia da Ereira, Nelson Carvalho admitiu que existe a preocupação e o risco de a aldeia ficar isolada nas próximas horas.
"Estava ponderado, estava previsto, tínhamos noção que com a subida da água pudesse acontecer, felizmente está a acontecer tudo de forma controlável", argumentou, numa alusão ao tempo que a população tem tido para se preparar para uma eventual cheia, bem como o acompanhamento de proximidade por parte da Proteção Civil, bombeiros e fuzileiros da Marinha.
"Conseguimos ter janelas temporais para tomar decisões e ir agindo na proteção de bens e pessoas, que é o mais importante", observou Nelson Carvalho.
Na aldeia, junto à igreja e ao parque de lazer, já totalmente submerso, o autarca conversou, por alguns minutos, com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho, Joaquim Carraco, que ali se deslocou, em ação de reconhecimento operacional, com duas viaturas. Pediu-lhe que, na medida do possível, garantindo as condições de segurança, o acesso por estrada fosse mantido transitável, até para que os moradores que trabalham fora pudessem regressar as suas casas.
Joaquim Carraco, por seu turno, indicou que, ao final da tarde desta terça-feira, será destacada para a Ereira uma equipa da Força Especial de Bombeiros e que os fuzileiros da Marinha têm já um bote no rio para qualquer eventualidade no apoio às populações.
Numa das zonas mais baixas da aldeia, virada para os campos agrícolas - por estes dias um imenso lago - que se estendem até à freguesia de Maiorca, já no concelho da Figueira da Foz, Sérgio Martinho está no exterior da sua casa, a recordar a grande cheia de há 25 anos, em 2001 (quando as margens do Mondego canalizado partiram em 12 locais) e a notar que a água agora existente nos campos só é comparável com o que sucedeu nessa altura.
Por outro lado, o morador olhou para as operações de apoio por parte das autoridades, ao contrário de outros tempos em que a cheia chegou de surpresa, notando que "essa tranquilidade [dada à população] é necessária".
"Eles [as autoridades] este ano estão a fazer as coisas diferentes: mais no terreno, mais atentos, e, coisa que nunca aconteceu, os três presidentes de Câmara -- Soure, Montemor-o-Velho e Coimbra -- reunirem-se dia a dia, juntamente com a Proteção Civil - é uma mais-valia.
No entanto, no seu caso concreto, apesar da tranquilidade aparente, Sérgio Martinho sabe que se a água subir, a sua moradia será das primeiras a ser afetada.
Em Montemor-o-Velho, junto à estrada para Alfarelos, escondida pela subida da água que corre no chamado leito abandonado do Mondego, o pescador desportivo Mário Matos teve um dia de sorte: lançou o isco às águas alterosas e saiu-lhe na 'rifa' um barbo com alguns quilos e destino marcado, a frigideira lá de casa.
"Barbo em janeiro sabe melhor do que carneiro", exclamou António Carmaneiro, ao olhar para o futuro pitéu, pescado pelo amigo.
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