Ação de protesto foi marcada pelo STOP e o objetivo foi "denunciar a degradação" de vários estabelecimentos de ensino do concelho do Seixal, sublinhando que esta situação coloca em risco alunos, docentes e funcionários.
Profissionais de educação do concelho do Seixal, no distrito de Setúbal, concentraram-se esta terça-feira junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, para exigir a remoção de amianto nas escolas e o reforço de assistentes operacionais.
"A lutar também estamos a ensinar" e "nós só queremos uma escola melhor" foram algumas das palavras de ordem que se fizeram ouvir pelos cerca de 30 manifestantes que se juntaram esta tarde debaixo do viaduto da Avenida Infante Santo.
A ação de protesto foi marcada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) e o objetivo, segundo explicaram à agência Lusa, foi "denunciar a degradação" de vários estabelecimentos de ensino do concelho do Seixal, no distrito de Setúbal, sublinhando que esta situação coloca em risco alunos, docentes e funcionários.
"Viemos reclamar junto do Ministério as verbas que fazem falta para retirar o amianto das escolas e recuperar equipamentos degradados", referiu à Lusa o dirigente do STOP Daniel Martins.
O sindicalista deu como exemplo a Escola Básica de Vale de Milhaços, que não dispõe de pavilhões desportivos e cujos balneários "estão degradados".
No entanto, Daniel Martins ressalvou que este tipo de problemas não se cinge ao concelho do Seixal, dando conta de situações semelhantes em várias zonas do país, nomeadamente escolas encerradas por falta de pessoal auxiliar até estabelecimentos com problemas estruturais graves.
"Temos assistentes operacionais que hoje em dia já não são meros funcionários da limpeza nem de manutenção. Fazem quase tudo. Dão apoio e estão com os alunos com necessidades educativas específicas, são mordidas, são arranhadas. Os profissionais estão exaustos e desempenham funções para as quais muitas vezes não têm formação adequada", apontou.
Presente neste protesto, a docente Patrícia Maurício, do agrupamento de escolas de Vale de Milhaços, referiu que a comunidade educativa "está muito preocupada" com a existência de amianto na escola.
"Preocupa-nos por nós, pelos nossos alunos, pelos assistentes operacionais e pela comunidade que habita perto da escola", afirmou, lamentando que o agrupamento, que tem quase quatro décadas, continue sem obras de requalificação.
Também a assistente operacional Maria do Céu Quintiliano denunciou a insuficiência de pessoal nas escolas e a acumulação de funções.
"Fazemos de tudo um pouco. Psicólogos, socorristas, apoio a alunos com necessidades específicas, sem formação suficiente para isso", criticou.
A funcionária queixou-se ainda dos baixos salários e das más condições físicas de alguns estabelecimentos, nomeadamente infiltrações, fissuras e salas com humidade.
Segundo os manifestantes, a Câmara Municipal do Seixal respondeu às preocupações transmitidas, mas alegou limitações orçamentais decorrentes da transferência de competências para as autarquias.
Nesse sentido, os profissionais defendem que o Ministério da Educação deve assegurar financiamento para resolver os problemas identificados e admitem prosseguir com novas ações de luta caso não sejam apresentadas soluções.
A Lusa contactou o Ministério da Educação para obter um comentário a este protesto, mas ainda não obteve resposta.
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