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Soure prepara-se para enfrentar intempérie e cheias

Estratégia adotada tem sido de preparação, "sobretudo para os picos previstos para quinta-feira".

03 de fevereiro de 2026 às 14:22

O presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, garantiu, esta terça-feira, que o município se está a preparar para o mau tempo esperado nos próximos dias, com perspetiva de cheias, havendo inclusive a presença de fuzileiros navais no concelho.

Para enfrentar as intempéries esperadas, a estratégia adotada tem sido de preparação, "sobretudo para os picos previstos para quinta-feira", com meios deslocados e "os fuzileiros navais estacionados na freguesia de Granja do Ulmeiro".

No âmbito das cheias, o concelho está estabilizado desde segunda-feira, sem registos de agravamentos e com a autarquia a gerir o nível da água, disse, esta terça-feira, o autarca à agência Lusa.

Um dos focos de atenção têm sido o rio Arunca, especialmente na localidade de Vila Raso, apesar de as águas ainda não terem chegado ao centro histórico local, estando "as freguesias de Figueiró do Campo, Granja do Ulmeiro e Alfarelos [na zona do Baixo Mondego] na mesma situação", esclareceu.

"As cheias estão na mão da gestão da APA [Agência Portuguesa do Ambiente]" e é igualmente preciso "alguma sorte", acrescentou Rui Fernandes.

Na segunda-feira, a Câmara Municipal de Soure, no distrito de Coimbra, alertou a população para que tenha reservas de água potável, alimentação e medicamentos para três dias, devido ao mau tempo.

"Face à possibilidade de cheias que poderão isolar algumas localidades", o município recomendou, através de uma publicação nas redes sociais, várias medidas de autoproteção.

A valência energética do concelho, também afetada pelo mau tempo, tem sido um dos pontos principais de atenção das equipas, já não havendo "nenhuma povoação integralmente sem luz".

O trabalho agora incide em "recuperações de pontas de casas" (restabelecimento das ligações diretamente em residências).

A atenção tem estado também voltada para reparações domésticas, num aproveitamento "do sol, que, apesar de tudo, vai espreitando", e de a chuva ter dado uma trégua ao concelho, permitindo consertos nas coberturas de estruturas.

A ação, de acordo com o presidente da autarquia, visa garantir que, se "quarta e quinta-feira estiver muita chuva, as pessoas consigam aguentar melhor".

No âmbito das comunicações, fora da sede do concelho a situação "é mais difícil" e a questão tem sido mitigada através de dez torres, ligadas a geradores, para fornecerem "uma cobertura mínima", destinadas "às comunicações críticas".

"Outras ligações domésticas vão demorar muitos, muitos meses", perspetivou Rui Fernandes.

O líder camarário revelou ainda que o número de realojados no concelho aumentou, esta terça-feira, com uma família de duas pessoas a necessitar de deixar a sua residência, que se encontra "numa situação muito precária".

Ao fim da manhã, o número total de realojados situava-se "entre 70 e 80" pessoas, segundo o edil.

Questionado sobre os prejuízos causados pela passagem da depressão Kristin, Rui Fernandes revelou não terem sido perspetivados valores por enquanto, estando os meios empenhados "na emergência ainda".

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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