Projeto vai ter um protótipo disponível para o acesso do público a partir de dia 21 de janeiro.
A Universidade da Beira interior (UBI) desenvolveu, em parceria com outras instituições, um conjunto de modelos de inteligência artificial (IA) capazes de transformar o texto das atas das reuniões camarárias em informação estruturada e concisa.
O coordenador do projeto e professor na UBI, Ricardo Campos, disse em declarações à Lusa, que o objetivo do projeto, denominado Citilink, "é o desenvolvimento de modelos de IA, especificamente de uma subárea do IA, que é o processamento da linguagem natural, capazes de olhar para as atas das reuniões camarárias, ou seja, de analisar as atas das reuniões camarárias".
No desenvolvimento destes modelos estiveram envolvidas a Universidade da Beira Interior, Universidade do Porto e o INESC TEC.
Ricardo Campos, também investigador do INESC TEC, refere que o projeto tem duas dimensões. A "dimensão societal" que foi desenvolvida "sob o ponto de vista de melhorar os processos democráticos, tornar a informação mais transparente [...] e mais acessível para os cidadãos e aproximar os cidadãos das decisões, daquilo que é o poder local" e a dimensão científica.
Esta última desenvolveu os oito modelos de IA que no seu conjunto são capazes de sumariar e resumir, "mas acima de tudo de identificar os principais assuntos discutidos e associá-los aos respetivos pelouros de forma automática".
Através dos modelos de IA é possível "detetar os participantes da reunião, ou seja, quem são os vereadores que participaram, o presidente, eventualmente cidadãos, em reuniões públicas, e destacar as posições assumidas por cada eleito municipal".
No caso específico dos cidadãos, Ricardo Campos garantiu a utilização de "métodos que garantem a anonimização dos dados pessoais".
O coordenador do projeto ilustra também as vantagens do Citilink numa questão de acessibilidade e organização, sendo que as atas são "documentos longos, difíceis de ler para o cidadão que não participa regularmente nas reuniões". Não só para os cidadãos, mas "para o próprio jornalista que procura uma informação, ou até para o próprio decisor político".
O projeto vai ter um protótipo disponível para o acesso do público a partir de dia 21, no decorrer de um 'workshop' onde será lançada a aplicação dos modelos de IA às atas dos seis municípios parceiros do projeto.
Segundo Ricardo Campos, o Citilink surgiu de uma iniciativa da então Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) financiou o projeto com 125 mil euros, sendo que já foi executada a totalidade das verbas.
O projeto começou oficialmente em abril de 2025, com uma datação inicial de 12 meses, sendo depois reduzida para 10, período no qual foi necessário "contratar uma série de bolseiros, fazer investigação, desenvolver os modelos, escrever artigos científicos e nesse curto espaço de tempo ter artigos científicos aceites".
"Portanto, o nosso trabalho enquanto investigadores encontra-se concluído", acrescentou o professor.
A equipa é composta por 24 elementos, de entre eles 17 homens e sete mulheres, e posteriormente foram contratados também dois consultores estrangeiros.
Ricardo Campos considera "particularmente relevante" que no seguimento da Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA), instituições como a Secretaria de Estado para a Digitalização, ou a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) "pudessem dar um impulso numa adoção mais alargada da solução".
"Na verdade, a nossa equipa já trabalha com a Amália, ou seja, a nossa equipa integra o consórcio do projeto Amália", disse.
O Citilink, segundo o investigador, poderá ser também uma ferramenta para jornalistas. "Pela sua falta de capacidade financeira para chegarem naturalmente a todo lado, inclusive os jornais locais, têm naturalmente interesse em alargar o seu espetro de atuação e levar notícias que sejam do interesse local e a partir daí poderem captar outros tipos de assinantes".
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