CUSCS junta-se às outras Comissões de Utentes da região e à população que se concentrou recentemente em frente ao Hospital do Barreiro em protesto.
A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal (CUSCS) criticou esta quarta-feira o encerramento da urgência obstétrica do Barreiro, afirmando que "vai sobrecarregar desmesuradamente" a Urgência de Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Em comunicado, a estrutura explica que reuniu o seu órgão executivo em 09 de março, o qual manifesta o "mais veemente repudio pelo anunciado encerramento da Urgência de Obstetrícia do Hospital do Barreiro e a 'messiânica' criação da Urgência Regional de Obstetrícia para o distrito de Setúbal, que passaria a estar concentrada no Hospital Garcia de Orta (HGO)".
A CUSCS junta-se, assim, às outras Comissões de Utentes da região e à população que se concentrou recentemente em frente ao Hospital do Barreiro em protesto.
Os utentes do Seixal juntam-se também aos autarcas que, de forma unânime, manifestaram a sua oposição e se juntaram em frente ao Ministério da Saúde para exigir a "reconsideração desta medida atentatória dos direitos constitucionais das parturientes do distrito de Setúbal".
"Estas medidas, além de incompreensíveis e injustificáveis, irão agravar os atuais constrangimentos existentes e sobrecarregar desmesuradamente a Urgência de Obstetrícia do HGO e potenciar as condições para que os partos possam ocorrer, ainda com mais frequência, fora de um ambiente hospitalar seguro, e necessário em caso de intercorrências, devido à distância entre os concelhos servidos pelo Hospital do Barreiro e o Hospital Garcia de Orta", adianta.
A ministra da Saúde anunciou esta quarta-feira que a nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia no Hospital Garcia de Orta, em Almada, avançará assim que as equipas tiverem as escalas conjuntas concluídas, sem avançar uma data.
Ana Paula Martins tinha estimado numa audição no parlamento, em 24 de fevereiro, que a urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal pudesse entrar em funcionamento em março, mas esta quarta-feira disse aos jornalistas que a data será comunicado pelo diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde.
A governante adiantou que os médicos e as médicas das equipas de obstetrícia do Barreiro que reunirem condições de fazer urgência integrarão este novo modelo, num processo que tem sido discutido nas reuniões entre as unidades hospitalares e a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Para a Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal, o Serviço Nacional de Saúde padece há muito de problemas estruturais, que necessitam de reajustamentos constantes e sustentáveis, menos reativos ou pontuais.
"O SNS não pode ser um laboratório de visões umbilicais ou derivas ideológicas. Um faz e desfaz que se repete a cada ciclo, a cada governação. Fica muito caro ao país, em dinheiro e em vidas", refere a comissão, defendendo que o SNS tem de ser fortalecido com mais investimentos e mais recursos humanos.
A Comissão de Utentes explica ainda que tem vindo há muito a alertar para a sucessiva diminuição de meios humanos e materiais no SNS, que visam a sua privatização, ou da maioria dos seus serviços, em atropelo do direito da população à Saúde consignado no Artº 64º da Constituição da República Portuguesa.
Segundo estatísticas da Pordata, os quatro concelhos da área de influência do hospital Nossa Senhora do Rosário (Barreiro) têm atualmente 232.604 habitantes e a população da região da Península de Setúbal, segundo dados de 2023 do Instituto Nacional de Estatística (INE), é uma das mais populosas do país, com 834.599 habitantes distribuídos por nove concelhos (Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Setúbal, Sesimbra e Palmela).
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