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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

'Exército de vigilantes' controla comentários de ódio e partilhas nas redes sociais em todo o mundo

Empresas criaram várias ferramentas que detetam e eliminam conteúdo de ódio.

23 de março de 2019 às 13:33

Não é novidade que os discursos de ódio se espalham pela Internet a uma velocidade relâmpago. Mas sabia que em 2016, várias equipas tecnológicas se comprometeram a apagar, em menos de 24 horas, mensagens que incentivassem o racismo, o sexismo e a xenofobia?

Na altura foi contratado um "exército de vigilantes" para filtrarem todo o tipo de conteúdos que circulavam na Internet e nas redes sociais. A tarefa da equipa passava por apagar tudo o que incentivava ao ódio de etnia, religião ou nacionalidade.

Este assunto surge depois de terem sido partilhadas imagens do ataque a duas mesquitas na Nova Zelândia, que causou matou cerca de 50 pessoas. O alerta das imagens que estavam a circular na Internet foi dado pela polícia. A equipa do Facebook procedeu à eliminação do vídeo e da página oficial do atirador do ataque, mas já foi tarde de mais. Em 24 horas foram eliminados 1,2 milhões de vídeos e imagens do ataque no Youtube, Instagram, Twitter e Reddit.

Em 2016, quatro empresas de tecnologia – Facebook, Twitter, Microsoft e Youtube – assinaram um código de conduta com a Comissão Europeia que visava o combate ao discurso de ódio na internet. Foram reforçados sistemas de segurança e vigilância para se erradicarem esse tipo de conteúdos. As entidades criaram programas de inteligência artificial, a opção que permite aos utilizadores reclamar e contrataram pessoas para o efeito.

Em declarações ao El País, a Google explica que "os padrões do discurso de ódio variam de um país para outro, assim como a linguagem usam".

Entre julho e setembro do ano passado, o YouTube eliminou mais de sete milhões de vídeos, por violar regras de publicação, e bloqueou 224 milhões de comentários. No caso do Facebook foram excluídos 2,5 milhões de conteúdos.

Na empresa de Mark Zuckerberg trabalham cerca de 15 mil pessoas responsáveis por fazer o controlo do tipo de partilhas que comentários que são feitos.

Javier Lesaca, investigador da Universidade da Colômbia, disse que "é impossível evitar a 100% que esse tipo de mensagens esteja presentes [nas redes sociais]. Mas é possível encontrá-las cedo e limitar a sua viralidade". Para o especialista as novas plataformas de comunicação digital são "a espinha dorsal da opinião pública na sociedade e devem assumir uma responsabilidade" tendo em conta estas questões.

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