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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Jornalista apresenta queixa na PSP por agressão em evento com André Ventura

Partido negou qualquer responsabilidade.

17 de janeiro de 2024 às 20:19

O jornalista do Expresso que disse ter sido agredido na terça-feira num evento na Universidade Católica, no qual participou o líder do Chega, já apresentou queixa na Polícia de Segurança Pública (PSP), disse à Lusa o diretor do jornal.

João Vieira Pereira, diretor do Expresso, afirmou à Lusa que tal queixa foi entregue esta quarta-feira na PSP.

Na terça-feira, o jornalista afirmou ter sido agredido num evento que contou com a presença do líder do Chega, André Ventura, na Universidade Católica, mas a organização negou, admitindo apenas que o profissional "foi removido" da sala.

A alegada agressão terá ocorrido num evento organizado pela Associação Académica do Instituto de Estudos Políticos e pela Associação Académica de Direito, da Universidade Católica Portuguesa, intitulado "Conversas Parlamentares", no qual participou o presidente do Chega, no âmbito de um ciclo de palestras para o qual foram convidados vários líderes partidários.

A convocatória feita pelo Chega para o evento, na véspera (segunda-feira dia 15), limitava apenas a entrada no auditório aos repórteres de imagem ("câmaras"), sem contudo fazer referências à presença de outros jornalistas.

À Lusa, João Dias, presidente da Associação Académica do Instituto de Estudos Políticos, um dos responsáveis pelo evento, afirmou na terça-feira que a palestra era "fechada à comunicação social".

Segundo notícia divulgada pelo Expresso, o jornalista alega que a sua entrada na sala onde estava André Ventura "foi autorizada por duas jovens junto à porta principal do auditório".

De acordo com o relato publicado pelo semanário, após ter sido abordado algumas vezes pela organização do evento para sair do auditório, "dois dos jovens prenderam os seus movimentos, agarrando-o pelos pés e pelos braços, forçando a sua saída do evento -- deixando todo o equipamento de trabalho na sala, incluindo o computador profissional", que foi devolvido "após intervenção de um dos assessores de André Ventura".

Segundo o semanário, o jornalista terá também sido abordado "de forma agressiva" pelo segurança pessoal de André Ventura.

Pelas associações, o responsável João Dias negou a existência de qualquer agressão e disse que o jornalista "foi removido" do auditório depois de ter sido abordado "cinco vezes" por membros da organização para que se saísse da sala.

Esta quarta-feira, o Chega negou responsabilidades na entrada e expulsão do jornalista do Expresso, remetendo-as implicitamente para os organizadores.

Os líderes da IL e do PAN já participaram neste evento, e, em ambas as ocasiões, os dois partidos comunicaram previamente à imprensa que não era permitida a presença de comunicação social no evento, mostrando-se disponíveis para fazer declarações à chegada.

A direção do Expresso já repudiou "qualquer forma de coação e constrangimento ao trabalho jornalístico", afirmando que "tomará as devidas ações, de forma a apurar responsabilidades e impedir que atos deste tipo voltem a acontecer", manifestando "inequívoco apoio ao seu jornalista, que foi impedido de realizar o seu trabalho livremente".

 

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