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Moda pouco provocadora

A moda está a conquistar o horário nobre da televisão. ‘Projecto Moda’ replica um formato internacional mas ainda precisa de criar uma narrativa mais estimulante e provocadora que prenda o espectador. E não é isso que, para já, acontece.

06 de agosto de 2010 às 00:00

Coco Chanel, a grande criadora, disse um dia que "a moda não é algo que apenas exista nas roupas. A moda está no céu, na rua, a moda tem a ver com ideias, com a forma como vivemos e com o que está a acontecer". Ou seja, a moda é a vida. E não um laboratório onde se criam coisas que depois são aceites de forma acéfala. A moda reflecte uma época. E é por isso que ela, em termos televisivos, pode servir para percebermos o estado de uma sociedade.

Numa altura em que os canais generalistas acordaram todos ao mesmo tempo para o tema, ‘Projecto Moda’, da RTP 1, começou primeiro. Quem acompanha ‘Project Runway’ (que a SIC Mulher tem transmitido), seja na versão americana (com Heidi Klum e Tim Gunn), seja na mais sofisticada versão do Canadá (com Iman e Brian Bailey), encontra na edição portuguesa muitas semelhanças. O formato está estabelecido e não se foge a ele. As apresentadoras são antigas modelos (o estilo de valquíria de Heidi Klum e o mais exótico de Iman dão um registo especial) e os mentores são vozes incontestáveis (Tim Gunn, nesse aspecto, é inimitável).

Em Portugal, a escolha de Nayma Mingas foi inteligente (falta agora rotina na apresentação e ganhar emoção própria, algo que vem com o tempo – basta lembrar como era Heidi Klum no início) e a de Paulo Gomes também, este embora com um registo muito diferente do de Tim Gunn. Ao júri português falta-lhe ainda a capacidade de ter pontos de vista diferentes e firmes (Manuel Alves, por exemplo, poderia ter um papel pedagógico e não dizer apenas "não gosto" – isso é o que qualquer pessoa diz), onde a polémica seja evidente e estale o verniz. O programa é a celebração da diversidade e do confronto de ideias. Em ‘Projecto Moda’ isso é ténue. No segundo programa, foi necessário o convidado Ricardo Araújo Pereira dar picante às declarações do júri. Nota-se que ainda não foi encontrada a capacidade para colocar os concorrentes a libertarem-se totalmente e de, editando essas cenas, criar uma narrativa provocadora, o que é o trunfo principal deste programa. Sem isso, estamos perante uma pura passadeira de talentos.

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