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O Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que domina as prisões e o crime organizado no estado brasileiro de São Paulo, está a reunir condições técnicas, financeiras e humanas para criar uma frequência de rádio e um canal de televisão clandestinos que atinjam a população das áreas mais pobres. A ideia é divulgar a organização nas favelas, onde mora, ou têm familiares, grande parte dos seus membros.
O alerta foi feito por um criminoso que estava preso na penitenciária de Franco da Rocha, na periferia de São Paulo, e que, depois da revelação, foi transferido para a sede da Polícia paulista, onde é mantido sob protecção. O preso, cuja identidade está a ser preservada pelas autoridades, passou a informação durante o depoimento a um juiz do Fórum da Barra Funda, também na capital paulista, que o ouvia sobre outro caso. O juiz enviou-a imediatamente ao comando da polícia e ao governo do estado.
Segundo as afirmações do recluso, o PCC pretende divulgar, junto da população mais carenciada, informações sobre presos e acções da organização, mas, principalmente, incutir nos moradores a ideia de serem um movimento social e não uma organização criminosa. A facção já vem trabalhando nesse sentido, distribuindo panfletos e colando cartazes nos quais se apresenta como um movimento de dignificação humana da comunidade prisional e seus familiares, tentando esconder que é uma quadrilha de traficantes e assassinos.
A sugestão para a criação da rádio e televisão terá partido do terrorista chileno Maurício Hernandez Morambuena, preso desde 2003 na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, cidade a 590 km da capital paulista, a mesma onde está presa toda a cúpula do PCC. Norambuena, condenado a 30 anos de prisão pelo rapto do publicitário brasileiro Washington Olivetto, em 2001, é também fugitivo de uma penitenciária chilena, onde cumpria duas sentenças de prisão perpétua por rapto e homicídio de políticos.
Pensa-se que o fundador e líder da Frente Patriótica Manuel Rodriguez, grupo guerrilheiro que, após a democratização do Chile, passou a actuar como quadrilha especializada em assaltos, raptos e assassinatos, terá sido o mentor do sequestro de Guilherme Portanova, repórter da Globo só libertado após o canal divulgar um manifesto em que o PCC denunciou uma alegada “opressão carcerária”.
SUSPEITO DE RAPTO PRESO
Carlos Alberto da Silva, o Balengo, um dos suspeitos de ter raptado, no dia 12 de Agosto, o repórter Guilherme Portanova, da Globo, foi preso pela Polícia Federal (PF) brasileira na cidade de Porto Alegre.
Balengo foi preso com outros 27 elementos do PCC quando terminavam a escavação de um túnel de 85 metros que passava por baixo de várias ruas e terminava sob as caixas-fortes de dois bancos públicos de Porto Alegre, a quase mil quilómetros da capital paulista.
As autoridades acreditam que Balengo sequestrou o repórter com a ajuda de Alexandre Campos dos Santos (Giló) e Sherley Nogueira Santos (Fininho), também membros da organização.
A PF, que depende directamente do governo de Lula e está envolvida numa guerra de vaidades e interesses eleitorais com a Polícia de São Paulo, acusou os polícias paulistas de terem detido Balenga e Fininho e libertado-os a troco de dinheiro. Os dois bandidos teriam sido detidos, por outros crimes, dias antes do sequestro do repórter, mas acabaram por ser libertados contra o pagamento de cerca de 122 mil euros, 32 pagos por Balenga e 90 por Fininho.
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