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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Plataformas impedidas de controlar pornografia infantil

União Europeia não vai prolongar as regras de deteção de abuso sexual infantil online, que expiram a 3 de abril, após o Parlamento Europeu, extremamente dividido, ter rejeitado proposta.

27 de março de 2026 às 01:30

O Parlamento Europeu não chegou a um consenso e votou contra a extensão das regras que permitiam às plataformas digitais controlarem preventivamente a pornografia infantil. O desentendimento entre partidos em Bruxelas torna agora mais difícil plataformas como Facebook ou Instagram controlarem conteúdos pedófilos.

A lei que está em vigor é temporária e tem validade até 3 de abril. Era necessário que os eurodeputados chegassem a acordo para prorrogar a legislação. Com 228 votos a favor, 311 contra e 92 abstenções, o Parlamento Europeu votou contra o diploma final que previa o aumento do prazo, mas limitações à lei previstas pelos Verdes. Do lado dos socialistas, a prorrogação seria só até 2027. Pelo lado dos sociais-democratas seria até 2028. Mas a introdução de alterações por parte dos Verdes fez com que o diploma caísse por terra, com os votos contra que in- cluíram os eurodeputados do PSD - que votaram ao lado da família PPE. “A aprovação destas emendas reduz a nada o alcance da proposta da Comissão. A sua aprovação não seria mais do que um embuste”, disse ao CM o eurodeputado do PSD Paulo Cunha. Apesar de defenderem que a exceção devia manter-se, as alterações significavam uma “falsa aparência de proteção”. Do lado dos socialistas, Ana Catarina Mendes afirmou não “entender a votação do PSD”, uma vez que, considera, “agarrou-se a duas emendas dos Verdes” para não votar a favor.

Na prática, as plataformas digitais vão agora entrar num vazio legal. Se agora podem, voluntariamente, identificar conteúdos não encriptados (como publicações) e denunciar suspeitas de abusos sexuais de menores, isso vai deixar de ser possível. Sem esta lei excecional, nem esse tipo de conteúdos pode ter uma atuação voluntária, o que já mereceu o alerta das próprias plataformas.

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