João Paulo Faustino, indicado pelo PSD para um segundo mandato no CO, afirmou que a situação financeira da RTP "é um problema real" e "tem de ser uma prioridade".
A falta de sustentabilidade financeira do serviço público de media dominou a audição dos 10 candidatos a membros do Conselho de Opinião (CO) da RTP ocorrida esta terça-feira no parlamento, em vésperas da eleição dos orgãos externos da Assembleia da República.
Durante a audição da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto dos candidatos, João Paulo Faustino, professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, indicado pelo PSD para um segundo mandato no CO, afirmou que a situação financeira da RTP "é um problema real" e "tem de ser uma prioridade".
Exemplificou com os direitos de transmissão do Mundial de Futebol, que nem a RTP nem as televisões privadas adquiriram, por falta meios financeiros, a poucos meses do início da competição.
"Teremos que ver os jogos da Seleção Nacional no Youtube? Comentados noutra língua?", questionou, sublinhando que o problema deveria ser objeto de debate na Assembleia da República e também na União Europeia.
Considerando que o modelo de financiamento, assente na Contribuição Audiovisual (CAV), "é dos melhores que existem", acrescentou que a RTP "pode eventualmente gerar mais receitas", investindo em formatos próprios para exportar, de modo a ter "capacidade para fazer uma reestruturação interna" e "reorganizar a estrutura de pessoal".
Patrícia de Carvalho, deputada do Chega e indicada pelo partido para membro do CO da RTP, defendeu novas formas de financiamento "sem colocar em causa o serviço público".
"Aumentar a quota da publicidade seria uma ajuda para ter mais financiamento, já que o Estado não cumpre com o necessário", disse ainda.
"Queremos ou não serviço público de media? Se queremos, e eu quero, temos de procurar a tal sustentabilidade financeira", defendeu, por seu turno, Felisbela Lopes, professora e investigadora em comunicação na Universidade do Minho, proposta pelo PS.
"Como? Não sou política, não sei", continuou, afirmando ser sua obrigação "alertar para este debate porque é necessário".
Felisbela Lopes disse ainda que as prioridades da RTP devem assentar na "transição digital" do serviço público, em alternativa "a uma agenda noticiosa muito saturada", no combate às assimetrias regionais, "às desordens informativas" e numa aposta "na literacia digital para crianças e mais velhos".
Para Rui Morais, gestor cultural com passagem pela Opart e mais recentemente pela Fundação do CCB, indicado pelo PSD, a aposta deve ser feita na transição digital do serviço público, até para aumentar as receitas próprias a partir do arquivo da RTP e de "conteúdos de cultura que possam concorrer à escala internacional".
Jorge Galveias, deputado do Chega indicado pelo partido que representa, disse que "a RTP tem obrigatoriamente serviços que os privados não têm de ter", que lhe permitam "chegar à diáspora" mas sem esquecer "os mais idosos e o interior" do país.
Para custear esses serviços, "temos a CAV, a publicidade, a produção e venda de conteúdos ou o Orçamento do Estado. Mesmo com o fim da CAV, vamos ter sempre o OE. O português vai pagar de uma forma ou de outra", disse ainda.
Simonetta Luz Afonso, historiadora e ex-presidente do Instituto Português de Museus, proposta pelo PS, interrogou-se sobre como é que a RTP pode fazer a transição digital "sem um orçamento aprovado a tempos e horas".
"Quando se tem de viver em gestão corrente, não se consegue fazer investimentos" nem "fazer programas fantásticos", afirmou.
Alertou ainda para a urgência de "salvar a televisão pública, porque corre o risco de entrar em insolvência dentro de dois ou três anos".
Segundo Maria de Fátima Lima, antiga diretora da ERC nomeada para o CO da RTP pelo PSD, "o aumento da CAV não é possível. É necessário, mas não é possível".
Para a candidata, a RTP deve "insistir na RTP Play", nos conteúdos exclusivos online pagos, na venda de conteúdos para o exterior, em parcerias e coproduções, criar uma equipa de 'fact checking' e apostar na literacia mediática. E também "apostar na reestruturação da empresa".
Bernardo Pessanha, deputado e indicado pelo Chega, com carreira na comunicação, garantiu a sua vontade de exercer o mandato no CO "com independência" e "respeito pela missão de serviço público".
Para a candidata Maria Inácia Rezola, investigadora em História Contemporânea e docente universitária, atualmente a exercer funções de comissária das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, "justifica-se o financiamento publico, porque há áreas, como a cultura, que os privados não asseguram".
A candidata indicada pelo PS recordou que o Arquivo da RTP é "um património de um valor incalculável", cuja digitalização "exige investimento do Estado, porque é função do Estado garantir a preservação da memória de todos os portugueses".
Assinalou ainda o "desinvestimento em conteúdos históricos por parte da RTP", lamentando que a televisão pública não tenha investido mais em conteúdos próprios para celebrar os 50 anos da democracia.
Já Leonor Azevedo, a mais jovem dos candidatos, indicada pelo PSD, reforçou a importância de a RTP apostar nos conteúdos digitais dirigidos aos jovens. E considerou que, na era da desinformação, "a RTP deve ter mecanismos de combate às 'fake news'".
A audição na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto foi ainda marcada pelas críticas da deputada do Livre, Filipa Pinto, aos deputados do Chega Patrícia de Carvalho e Bernardo Pessanha que, a par de Jorge Galveias, foram indicados para o CO da RTP pelo partido que representam.
Esclarecendo que os currículos de Patrícia de Carvalho e Bernardo Pessanha não mencionam "as funções que exercem no jornal Folha Nacional, detido pelo Chega, conhecido por publicar notícias falsas e deformadas", Filipa Pinto perguntou aos candidatos ao CO da RTP como poderiam "garantir independência perante a entidade" que os designou.
Os candidatos do Chega acusaram Filipa Pinto de "politiquice" e justificaram que o facto de o partido poder indicar três membros decorre "do funcionamento da democracia".
Na quinta-feira, o parlamento vai votar os novos membros do CO da RTP, no âmbito das eleições para diversos órgãos externos da Assembleia da República, depois de sucessivos adiamentos relacionados sobretudo com o impasse ligado à lista para o Tribunal Constitucional (TC).
O CO da RTP é composto por 32 elementos, dos quais 10 são eleitos pela Assembleia da República. Entre as suas competências está emitir parecer vinculativo sobre as personalidades indigitadas para os cargos de provedores do Telespetador e do Ouvinte e indigitar para o Conselho Geral Independente (CGI) duas personalidades de reconhecido mérito e qualificações.
A apreciação dos planos de atividade e orçamento da RTP, a pronúncia para efeitos de avaliação sobre o cumprimento do serviço público de rádio e de televisão, bem como a emissão de pareceres sobre as iniciativas legislativas com incidência no serviço público de rádio e de televisão são outras das competências.
Também dá parecer sobre o contrato de concessão da RTP, nomeadamente "quanto à qualificação das emissões de serviço público", entre outros.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.