António Chainho morre aos 88 anos: "Que se calem as guitarras"

Partiu o último dos grandes mestres da guitarra portuguesa.

28 de janeiro de 2026 às 00:25
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos.
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, recordado em fotografia
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, e uma fadista atuam em palco
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos
Morreu António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, aos 88 anos
António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, faleceu aos 88 anos

1/12

Partilhar

Viveu durante mais de 60 anos abraçado a uma guitarra e só por uma única vez a colocou de lado, aos 15 anos. Foi quando a mãe morreu. "Naqueles tempos e naquele meio [S.Francisco da Serra, em Santiago do Cacém], parecia mal tocar durante o luto. Tinha tantas saudades que quando voltei a tocar foi com tal frenesim que fiquei com os dedos em sangue", recordava na última entrevista ao CM. António Chainho, o guitarrista que se assumia tão fadista a tocar como aqueles que cantavam o fado, que cumpriu todo o serviço militar com a guitarra atrás ("era a minha arma", dizia), que dizia que o instrumento era o grande amor da sua vida, morreu esta terça-feira, em sua casa, em Alfragide, no mesmo dia em que faria 88 anos de idade. Portugal perde o último dos grandes mestres da guitarra Portuguesa depois de Armandinho, Carlos Paredes, Fontes Rocha e Fernando Alvim.

Em nota de pesar, a família fala num "homem completo, indissociável da história do fado e da música em Portugal. Fica a imensa saudade, o silêncio da sua inigualável sensibilidade e a eterna companhia do seu talento, da sua música". No sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa evoca uma "personalidade cimeira na guitarra portuguesa e no fado" e "Um símbolo inspirador para gerações de instrumentistas". O município de Santiago do Cacém decretou três dias de luto nacional.

Pub

Filho e neto de moleiros, António Chaínho nasceu a 27 de Janeiro de 1938, em S.Francisco da Serra. O interesse pela guitarra nasceu em criança a ver o pai tocar, tendo a sua estreia em palco acontecido aos onze anos na festa de uma coletividade depois de um jogo de futebol entre o S.Francisco e o Abela. "Naquela altura a nós ninguém nos ganhava", garantia. Ao longo da carreira tocou com alguns dos maiores nomes da música, de Carlos do Carmo a Gal Costa, mas a primeira pessoa que acompanhou, ainda aos 13 anos, foi a mãe que gostava de cantar os fados da Amália. "Tenho um enorme desgosto por a minha mãe ter morrido sem ver onde me levou o amor pela guitarra", dizia ao CM. Autodidata e com um talento inato, recordava o dia em que Paco de Lucia tentou, pela primeira vez tocar uma guitarra portuguesa. "Um dia pediu-me para experimentar e não conseguiu fazer nada daquilo, por causa da afinação e maneira de tocar muito própria. Ele só me dizia “António, tu és louco ...este instrumento é de loucos”. Chaínho despediu-se dos palcos em setembro de 2024, admitindo algumas dificuldades fisicas em tocar. Nesse ano lançou o último disco, 'O Abraço da Guitarra'. Em 2022 tinha sido condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.  

O corpo sai esta quarta-feira, pelas 10h00, do Seminário Nossa senhora de Alfragide (onde decorreu o velório na terça-feira) em direção ao Complexo Fúnebre em Setúbal onde será cremado pelas 12h00. 

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar