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Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga arrasa Governo e acusa-o de “abandono”

António Filipe Pimentel queixa-se da falta de investimento.

13 de maio de 2019 às 01:30

António Filipe Pimentel, diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), nunca poupou críticas ao Governo – sobretudo à ministra da Cultura, Graça Fonseca – mas agora deu uma entrevista arrasadora ao jornal espanhol ‘El País’.

No artigo, publicado no sábado, o responsável – que já tinha anunciado que vai pôr fim à sua comissão de serviço em junho, ao fim de quase dez anos de trabalho – acusa o Estado de se demitir das suas responsabilidades.

"Mantém-se um desinvestimento na instituição, nos recursos humanos, nas condições financeiras e administrativas. Há um abandono técnico do Estado, que não assume este projeto como seu", diz.

O responsável acrescenta que o museu tem de funcionar com 67 trabalhadores (quando "há 30 anos eram 167") e que "há vários meses" falta a luz na escada de funcionários, obrigando-os a subirem com a ajuda da lanterna dos telemóveis.

"O museu não existe. É uma entidade administrativa", acusa.

"As exposições, os programas e todas as iniciativas acontecem graças aos Amigos do Museu, cujo apoio nos dá a agilidade que o ministério não permite. Graças a eles conseguimos comprar lâmpadas para as salas quando se fundem. Se estivéssemos à espera que a Administração as comprasse, 80 salas ficariam às escuras."

O CM contactou o gabinete de Graça Fonseca, mas até este domingo à noite não obteve resposta por parte da ministra da Cultura.

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