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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mafalda Veiga pisa ‘Chão’ muito fértil

Mais de duas décadas depois de se ter lançado no mundo da música, com o clássico ‘Pássaros do Sul’, Mafalda Veiga não dá sinais de cansaço, muito por culpa da forma como tem gerido o tempo: de 1987 até ontem gravou ‘apenas’ cinco álbuns de originais em nome próprio, aos quais é obrigatório juntar a bem-sucedida aventura de ‘Lado a Lado’, registo gravado no ano passado com João Pedro Pais.

21 de abril de 2008 às 00:30

Hoje, chega finalmente às lojas o sucessor de ‘Na Alma e na Pele’. Cinco anos após a última aventura a solo, Mafalda Veiga apresenta o disco num showcase agendado para as 18h30 na Fnac Chiado, em Lisboa, cidade que a viu nascer na véspera de Natal de 1965 (ver Perfil).

‘Chão’, assim se chama o registo agora editado, conta com um novo produtor na carreira da cantora, guitarrista e compositora: Miguel Ferreira, teclista dos nortenhos Clã, a assumir funções que no passado ficaram por conta de gente como Manuel Faria, José Sarmento, Manuel Paulo e Rui Costa.

'A Mafalda é uma cantora muito popular e com uma carreira já longa. Em casos como o dela é preciso muito cuidado e toda a diferença se faz nos pormenores. Mudámos o som de bateria e, simplesmente, limpámos, aliviámos, criámos espaço para o que efectivamente tem de brilhar: a canção e a voz da cantora', explica Miguel Ferreira sobre o trabalho quase ‘invisível’ por trás de ‘Chão’.

No final, percebe-se que o som mudou. Sem revoluções, sem estragar a marca do passado, sem ferir os muitos fãs. 'Fomos à procura de um som mais orgânico, despido de pesos electrónicos, que me parece aquele que mais se enquadra no estilo dela. E que, parece-me, lhe faz mais justiça.'

O primeiro single do álbum, ‘Estrada’, é prova de que a artista lisboeta, que tão bem canta a ruralidade, não ‘põe o pé em seara alheia’ e conhece os terrenos que pisa. Este ‘Chão’ onde Mafalda se move, tranquila e segura, está bem firme.

PERFIL

Ana Mafalda da Veiga Marques dos Santos nasceu em Lisboa a 24 de Dezembro de 1965. De 1974 a 1984 viveu em Badajoz, onde aos 11 anos começou a tocar viola.

Em 1987, editou ‘Pássaros do Sul’, disco que recebeu aplausos da crítica e do público, lançando-a para a ribalta. Desde então gravou ‘Cantar’, ‘Nada se Repete’, ‘A Cor da Fogueira’, ‘Tatuagem’, ‘Ao Vivo’ ‘Na Alma e Na Pele’ e ‘Lado a Lado’, este último com João Pedro Pais.

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