À leitura do voto assistiram nas galerias do parlamento familiares e amigos de Eduardo Gageiro, que faleceu em Lisboa em 4 de junho, aos 90 anos de idade.
A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de pesar apresentado por PCP e BE pela morte do fotojornalista Eduardo Gageiro, recordando a sua obra como "um símbolo de esperança, liberdade e resistência".
À leitura do voto assistiram nas galerias do parlamento familiares e amigos de Eduardo Gageiro, que faleceu em Lisboa em 4 de junho, aos 90 anos de idade.
"Eduardo Gageiro é um dos nomes mais importantes da fotografia portuguesa, especializado em fotojornalismo, e retratou, como talvez nenhum outro fotógrafo português, diferentes modos de vida e diferentes personalidades, deixando-nos um acervo impressionante sobre a vida da nossa sociedade", refere o voto apresentado pela bancada do PCP e pela deputada única e coordenadora do BE, Mariana Mortágua.
No texto do voto, recorda-se que a sua primeira fotografia foi publicada na capa do Diário de Notícias em 1947, "quando tinha 12 anos de idade e começou a trabalhar como empregado de escritório na Fábrica da Loiça de Sacavém".
Em 1957 tornou-se fotojornalista no Diário Ilustrado, passando depois pel'O Século Ilustrado, Eva, Almanaque, Match Magazine, Sábado, Grande Reportagem e Associated Press, entre muitas outras publicações e instituições.
"Desde sempre ligado à luta pela democracia e pela liberdade, e contra a ditadura fascista, retratou as condições de enorme desumanidade em que vivia grande parte da população portuguesa, o que lhe valeu várias detenções pela PIDE", refere ainda o voto.
PCP e BE salientam que os registos de Eduardo Gageiro no 25 de Abril de 1974 "constituem documentos históricos de enorme valor e significado, como o encontro dos militares revoltosos no Terreiro do Paço, o assalto à sede da PIDE, ou o momento em que capta a comoção do capitão Salgueiro Maia quando percebe que o movimento que comanda assumia definitivamente a vitória".
"Estas fotografias correram o mundo e tornaram-se um símbolo de esperança, liberdade e resistência e continuam, ainda hoje, a manter viva a memória da inauguração do regime democrático e do fim de uma longa noite de 48 anos", referem.
Eduardo Gageiro foi condecorado como comendador da Ordem do Infante D. Henrique em Portugal, e cavaleiro da Ordem de Leopoldo II, na Bélgica. Foi distinguido com o segundo prémio individual do World Press Photo em 1975.
"A Assembleia da República, reunida em plenário, manifesta o seu pesar pelo falecimento de Eduardo Gageiro e expressa sentidas condolências aos seus familiares, amigos e camaradas de profissão", refere a parte resolutiva do voto.
Em 1975, com uma fotografia de António de Spínola, na clarividência da História e da derrota iminente, Eduardo Gageiro conquistou o prémio World Press Photo.
Três anos antes, foi um dos poucos fotojornalistas, a nível internacional, a captar os raptores da equipa de Israel, nos Jogos Olímpicos de Munique. A fotografia de uma criança que fez no Iraque, nos anos 1990, está em exposição permanente na Casa da História Europeia, em Bruxelas.
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