No curto espaço de dois anos, o Norte do País perdeu três festivais rock. Uma perda importante quer em receitas quer em exposição da região, que anualmente era invadida por milhares de jovens. Vilar de Mouros, o ‘Woodstock português’, é o caso mais recente e, após oito edições consecutivas, a vila minhota vê-se privada do seu festival, juntando-se assim aos extintos ou cancelados ‘ad eternum’ da Ilha do Ermal (Vieira do Minho) e de Carviçais (Torre de Mocorvo), para citar apenas os maiores.
O cancelamento da edição de 2007 do festival de Vilar de Mouros foi anunciado quarta-feira pela promotora PortoEventos e Junta de Freguesia local, que atribuem a culpa à Câmara Municipal de Caminha, a quem acusam de “incompreensível alheamento e mesmo marginalização”. A autarquia, por seu lado, descarta responsabilidades e acusa a empresa organizadora de “erros de gestão” e “dívidas acumuladas”. A troca de acusações levou entretanto a câmara a avançar com um processo contra um responsável da PortoEventos, que afirmou que a autarquia tem dívidas por pagar relacionadas com o evento.
À margem da troca de acusações, o facto é que o Norte perde aquele que era um dos mais importantes festivais de Verão de todo o País. Uma situação que Jorge Silva, da PortoEventos, atribui à mentalidade local.
“O Sul tem herdades e o Minho tem leirinhas. Cada um só se preocupa com a sua leirinha”, disse. Para este responsável, que em tempos organizou também o Festival Carviçais Rock, o envolvimento das entidades locais é fundamental e apontou o festival de Paredes de Coura (Minho), “o único que subsiste e que é apoiado pela câmara”. E foi mais longe: “O Norte precisa de se mobilizar, não contra Lisboa, mas para competir, para poder mostrar o que tem de bom”. E avançou com os casos de Oeiras, palco do ‘Oeiras Alive’, e do Algarve, “que cada vez mais aposta neste tipo de eventos. Aí as entidades locais apoiam e acrescentam algo. Aqui não, ainda estamos em contra ciclo”.
Opinião semelhante tem Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros. Para o autarca, “o mais importante não é o dinheiro que fica naqueles dias, mas sim a promoção que isso representa”. Segundo o mesmo, “o festival nasceu pela mão do dr. António Barge para se dar a conhecer a região. Eu mesmo o ouvi dizer que não se justifica que só o Algarve seja conhecido e promovido. A verdade é que não tem havido da parte de quem manda na região o empenho e a inteligência para aproveitar o que aqui temos... o património, a paisagem, a cultura...”
16 edições foi quanto Vilar de Mouros recebeu desde 1965, data do primeiro festival, então só com ranchos folclóricos. Em 1971, foi palco da primeira edição internacional, com Elton John e Manfred Mann.
8 edições consecutivas é o recorde de Vilar de Mouros. Foi estabelecido entre os anos de 1999 e 2006.
SONHO DE MÉDICO O festival de Vilar de Mouros deve a sua existência ao médico António Barge.
O 'WOODSTOCK' LUSO A partir de 1971, Vilar de Mouros passou a ser conhecido como o ‘Woodstock português’.
EXTINTOS A última edição do Festival da Ilha do Ermal foi em 2005 e a de Carviçais o ano passado.
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