Primeiro-ministro realçou que Portugal tem "a energia solar mais barata à escala mundial".
O primeiro-ministro, António Costa, realçou hoje que Portugal tem "a energia solar mais barata à escala mundial", fator que pode contribuir para tornar Sines (Setúbal) num "campeão da produção de hidrogénio verde" na Europa.
Em Sines, onde fechou recentemente a central termoelétrica da EDP, deixará de ser produzida energia a partir do carvão, mas passará a ser produzida energia "através de hidrogénio verde", lembrou o chefe do Governo, numa cerimónia nesta cidade do litoral alentejano.
"E por que é que Sines pode ser um campeão da produção de hidrogénio verde em toda a Europa?", questionou António Costa, respondendo, logo de seguida, que é "pela mesmíssima razão" que vai acolher um megacentro de dados global, um projeto da empresa de capitais anglo-americanos start campus.
Segundo o primeiro-ministro, de entre outras localizações pelas quais os promotores poderiam ter optado, escolheram Sines "porque aqui é possível ter um 'mega datacenter' energeticamente sustentável".
"E mais", isto é, "com a energia renovável mais barata que é possível encontrar", porque nos "dois últimos leilões" realizados foi possível "bater o recorde mundial do preço da energia solar mais barata à escala mundial", frisou.
"Nós temos a energia de origem solar mais barata à escala mundial", insistiu o primeiro-ministro, argumentando que este o país pode sempre "manter esse recorde porque a energia solar é um recurso que é inesgotável".
E, tal como "a energia barata foi uma condição fundamental" para a start campus escolher Sines, "essa mesma energia barata será também fundamental para instalar aqui os pontos onde se podem fazer a hidrólise para a produção do hidrogénio verde", afiançou.
"Porque hidrogénios há muitos e em muito sítio da Europa se pode fazer hidrogénio. O que não se pode fazer é hidrogénio verde", porque, para tal ser possível, "é necessário ter estas condições de o poder fazer com base numa energia renovável" e "de baixo custo".
"Como aquela que permite aqui instalar este 'data center' e fará também de Sines, seguramente, um dos grandes centros de produção de hidrogénio verde de toda a Europa", destacou António Costa.
O chefe do Governo discursava na cerimónia de apresentação do projeto Sines 4.0, um megacentro de armazenamento de dados informáticos global a instalar nesta cidade alentejana pela empresa start campus.
Na sua intervenção, o primeiro-ministro explicou que, em Sines, vai ser possível "fazer a reconversão da estrutura industrial" proveniente "da anterior era energética", assente nos combustíveis fósseis, "para a nova era energética", aproveitando instalações e infraestruturas existentes para poderem "transportar hidrogénio verde", contribuindo para que Portugal possa ser, cada vez mais, "um centro de produção das energias do futuro".
A segurança energética nacional, em detrimento dos combustíveis fósseis, está a ser reconstruída com base no aumento de produção de energia renovável, um setor em que Portugal tem "mérito", mas também "sorte", graças às suas condições geográficas.
"Eu diria que é, de alguma forma, um certo ajuste com a história", disse Costa, lembrando que, na primeira revolução industrial, Portugal ficou "para trás" face a outros países que dispunham dos recursos necessários, mas, agora, a situação é outra: "É a nossa vez de termos a vantagem competitiva e esses recursos energéticos", que ainda por cima "são inesgotáveis e são sempre renováveis".
O denominado Sines 4.0 prevê um investimento de "até 3.500 milhões de euros" num 'campus Hyperscaler Data Centre', com capacidade até 450 Megawatts (MW), que "criará até 1.200 postos de trabalho diretos altamente qualificados e pode vir a gerar 8.000 novos empregos indiretos até 2025", segundo a empresa promotora.
Com início de construção previsto para 2022, envolvendo 900 pessoas numa primeira fase e até 2.700 no total, o Sines 4.0 deverá inaugurar, no final de 2023, o primeiro dos cinco edifícios projetados.
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