Desde o início do conflito, uma guerra paralela de desinformação eclodiu, ambos os lados inundaram as redes sociais com informações falaciosas.
O ataque conjunto dos EUA e de Israel contra o Irão desencadeou uma "guerra de narrativas" paralela aos verdadeiros desenvolvimentos militares no Médio Oriente, com passagens de videojogos apresentadas como ataques e imagens geradas por IA.
Desde o início do conflito, uma guerra paralela de desinformação eclodiu, ambos os lados inundaram as redes sociais com informações falaciosas.
As equipas da AFP identificaram uma série de contas pró-iranianas que publicavam vídeos antigos com o objetivo de exagerar os danos causados pelos ataques de Teerão contra Israel e os Estados do Golfo.
"Há claramente uma guerra de narrativas 'online'", explica à AFP o investigador do Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD), Moustafa Ayad. "Seja para justificar os ataques no Golfo ou para elogiar o poder militar iraniano face aos ataques israelitas e americanos, os objetivos parecem ser desgastar os "inimigos"", acrescentou.
Do outro lado do espectro, segundo os investigadores, os meios de comunicação da oposição iraniana difundiram no X e no Telegram narrativas que atribuíam, erroneamente, um ataque contra uma escola feminina no Irão ao próprio Governo iraniano.
O ISD também alertou para a proliferação de contas falsas que usurpam a identidade de altos dirigentes iranianos.
Ao mesmo tempo, excertos de videojogos reciclados para fazer crer em ataques com mísseis, bem como imagens geradas por indiligência artificial (IA) mostrando navios de guerra americanos afundados - incluindo, alegadamente, o porta-aviões USS Abraham Lincoln - obtiveram milhões de visualizações.
Táticas de desinformação semelhantes às já observadas em outros conflitos, como na Ucrânia e em Gaza.
"O que é realmente surpreendente é a rapidez e a amplitude dessas representações, que alimentam grande parte da confusão 'online' sobre o que foi alvo ou sobre os resultados", observa Moustafa Ayad.
As imagens fabricadas, que apresentam o Irão como mais ameaçador do que a situação no terreno sugere, totalizaram mais de 21,9 milhões de visualizações no X, empresa da qual Elon Musk é dono, de acordo com a organização de monitorização de desinformação NewsGuard.
Na terça-feira, a plataforma do multimilionário anunciou que suspenderia por 90 dias o seu programa de partilha de receitas para criadores que publicam vídeos de conflitos armados gerados por IA.
"Em tempos de guerra, é crucial que as pessoas tenham acesso a informações autênticas vindas do terreno", afirma a responsável de produto do X, Nikita Bier. No entanto, as tecnologias de IA atuais tornam "banal a criação de conteúdos suscetíveis de induzir as pessoas em erro".
A mudança é notável para uma plataforma cuja abordagem na moderação de conteúdos tem sido fortemente criticada desde que o seu proprietário adquiriu a empresa em outubro de 2022, por 44 mil milhões de dólares.
"A névoa da guerra está a transformar-se rapidamente numa confusão, à medida que os conteúdos produzidos pela IA criam um ruído infinito nos ecossistemas informativos", explica o cofundador da OpenOrigins, empresa especializada no combate aos 'deepfakes', Ari Abelson.
"Enquanto assistimos, mais uma vez, a um novo conflito mundial extremamente grave no Irão, é importante compreendermos como o nosso ecossistema mediático está a mudar", acrescentou.
Um estudo da NewsGuard revelou que a ferramenta de pesquisa de imagens invertidas do Google produziu informações erradas, geradas por IA, sobre imagens falsas ou enganosas relacionadas com o conflito no Médio Oriente.
O que revela uma "fraqueza significativa de um sistema amplamente utilizado para verificar a autenticidade das imagens", destacou a NewsGuard. Contactado pela AFP, o Google não comentou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
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