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Cotação do petróleo cai mais de 10% com afirmações de Trump sobre a guerra apesar de desmentidas

Afirmações de Trump ofereceram a esperança de um alívio no mercado dos hidrocarbonetos, cujos preços não param de subir desde o início dos ataques israelo-norte-americanos ao Irão.

23 de março de 2026 às 21:56

As cotações do petróleo caíram esta segunda-feira mais de 10%, em reação brutal à reviravolta de Donald Trump sobre o Irão, que garantiu ter tido "muito boas" discussões com os dirigentes de Teerão, para acabar com a guerra.

Apesar de terem sido desmentidas pelos iranianos, as afirmações de Trump ofereceram a esperança de um alívio no mercado dos hidrocarbonetos, cujos preços não param de subir desde o início dos ataques israelo-norte-americanos ao Irão.

O Brent, referência internacional, desde logo para a Europa, valorizou mais de 40% desde o início dos ataques. O gás europeu, estruturalmente mais volátil, viu a sua cotação subir mais de 75%.

As exportações de hidrocarbonetos dos Estados do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Iraque ou Qatar, são em grande parte travadas pela quase paralisia do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás liquefeito.

Segundo o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Briol, isto implica "menos de 11 milhões de barris" de petróleo todos os dias, o que representa "mais do que as duas crises petrolíferas (nos anos 1970) reunidas".

Birol realçou, a propósito, uma "ameaça relevante" para a economia mundial.

Mas, desde que Trump falou em desanuviamento, os investidores apressaram-se a vender os seus barris, para embolsar o ganho, provocando uma quebra acentuada das cotações e um alívio do "prémio de guerra".

Depois de ter chegado a cair esta segunda-feira mais de 14%, o Brent acabou as transações no mercado internacional de futuros de Londres em baixa de 10,92%, para 99,94 dólares.

Por sua vez, o norte-americano WTI caiu 10,28%, para os 88,13 dólares.

Para procurar reabrir o Estreito de Ormuz, Trump, no sábado, fez um ultimato ao Irão, dando-lhe dois dias, para aquela reabertura, sob pena de atacar as suas centrais elétricas. Mas esta segunda-feira fez 'marcha-atrás', evocando um avanço de "cinco dias" da data-limite.

"A impressão que isto dá é que ele está próximo da sua linha vermelha", disse John Plassard, do Cité Gestion Private Bank, em declarações à AFP.

Na sua opinião, esta eventual escalada, com o risco de represálias iranianas sobre as infraestruturas dos Estados do Golfo Pérsico, levaria o petróleo "aos 150 dólares por barril, o que teria implicações catastróficas" para a economia e os cidadãos dos EUA, quando se está a poucos meses das eleições do meio do mandato.

A forte queda das cotações esta segunda-feira ocorrida ilustra o profundo alívio dos investidores, por verem afastar-se este cenário catastrófico: uma crise ligada ao transporte marítimo pode resolver-se se a guerra acabar, ao contrário de uma outra causada pela destruição das infraestruturas energéticas no Médio Oriente, cujas repercussões durariam anos. ~

O mercado pode suportar uma perda provisória da produção, mas "não pode viver com 10% da produção petrolífera mundial perdida durante anos", realçou Ole R. Hvalbye, da SEB, em declarações à AFP.

Apesar de os investidores considerarem as afirmações de Trump "como uma tentativa relevante de desescalada, nem os EUA, nem Israel cessaram as suas operações militares", contrapôs Gregory Brew, do Eurasia Group.

O Ministério do Negócios Estrangeiros iraniano, por seu lado, negou "qualquer negociação com os EUA" desde o início dos ataques, há mais de três semanas.

Um verdadeiro alívio das cotações passa por um regresso à normalidade do tráfego no Estreito de Ormuz, não por simples declarações, avisou Hvalbye.

Mesmo em caso de trégua rápida, os preços não devem regressar de imediato ao nível de antes dos ataques israelo-norte-americanos.

Pelo menos 40 infraestruturas energéticas já foram "danificadas gravemente ou muito gravemente", em nove Estados do Médio Oriente, realçou Birol.

Para mais, os países importadores já começaram a utilizar as suas reservas estratégicas, que devem reconstituir quando a crise passar, o que vai manter pressão sobre a procura e os preços.

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