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Embaixador de Israel quer França afastada das negociações com o Líbano

França juntou-se esta terça-feira a outros 17 países para pedir ao Líbano e a Israel que "aproveitem a oportunidade" destas conversações de paz diretas mediadas pelos Estados Unidos.

14 de abril de 2026 às 23:53

O embaixador israelita nos Estados Unidos da América criticou esta terça-feira o papel da França no Líbano, afirmando que Paris não deve interferir nas negociações entre Israel e Beirute, em Washington, para terminar com a intervenção militar no território libanês.

Em declarações após conversações diretas entre Israel e o Líbano, em Washington, Yechiel Leiter declarou: "Certamente não queremos ver os franceses a interferir nestas negociações".

"Gostaríamos de manter os franceses o mais longe possível de praticamente tudo, mas especialmente quando se trata de negociações de paz", acrescentou o representante israelita, em termos decididamente pouco diplomáticos.

Questionado se o Governo israelita tinha feito um esforço "constante" para manter a França fora das negociações, Leiter respondeu que os franceses "não são necessários" e "não têm qualquer influência positiva, especialmente no Líbano".

A França juntou-se esta terça-feira a outros 17 países para pedir ao Líbano e a Israel que "aproveitem a oportunidade" destas conversações de paz diretas mediadas pelos Estados Unidos.

Mas Paris, que tem fortes laços históricos com o Líbano, também pressionou para a inclusão da Frente Libanesa no cessar-fogo negociado pelos EUA com o Irão, para grande desgosto de Israel.

Paris considerou ainda "intoleráveis" os ataques israelitas ao Líbano, em 08 de abril, que mataram mais de 350 pessoas e feriram mais de 1.200, e opôs-se a uma ofensiva terrestre israelita no território libanês.

As relações entre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu são notoriamente tensas, principalmente desde que a França reconheceu um Estado palestiniano.

O movimento xiita Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita apoiado por Teerão e que, apesar disso, não parou os seus lançamentos de projéteis e 'drones' contra o território israelita.

Em resposta, Israel desencadeou uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no conflito anterior.

Israel e Líbano concordaram esta terça-feira iniciar conversações diretas para uma paz duradoura, após uma primeira reunião em Washington entre representantes dos dois países, informou o Departamento de Estado norte-americano.

De acordo com o comunicado, a parte libanesa reforçou "a necessidade urgente da plena implementação" da trégua de 2024, destinada a interromper mais de um ano de confrontos diretos entre Israel e o Hezbollah, no seguimento do conflito na Faixa de Gaza.

Além disso, Beirute apelou para "medidas concretas para enfrentar e aliviar a grave crise humanitária" que atinge o país desde o início da atual guerra, que já provocou 2.089 mortos, entre as quais 166 crianças, e mais de um milhão de deslocados.

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