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Cotrim Figueiredo considera tardia compra de 275 ambulâncias para o INEM

Candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal recusou-se a usar as três mortes por atrasos no socorro como "arma de arremesso político".

08 de janeiro de 2026 às 18:15

O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo considerou esta quinta-feira tardia a compra de 275 novas viaturas para o INEM anunciada pelo primeiro-ministro, após a morte de três pessoas alegadamente por atrasos na assistência médica.

"Parece-me a `casa roubada trancas à porta´ depois de vários incidentes aparentemente relacionados com a falta de ambulâncias", disse o eurodeputado, depois de uma visita e conversa com idosos sobre a função do Presidente da República na Associação Extragenária em Vagos, no distrito de Aveiro.

O antigo líder da IL, que nesta corrida a Belém tem dado muita atenção aos idosos, reagia ao anúncio do Governo da aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros.

"Se são necessárias agora, certamente já eram antes do início da época das gripes e das doenças respiratórias", assinalou.

Sobre a manutenção da ministra da Saúde no cargo, Cotrim Figueiredo reafirmou que a composição do Governo cabe ao primeiro-ministro e, por isso, um Presidente da República não deve interferir nessa composição.

"Mas deve, no entanto, perceber da boca do primeiro-ministro se considera que há condições políticas para a ministra continuar", referiu.

Cotrim Figueiredo repetiu que, caso se confirme que o Governo não reativou o reforço de ambulâncias para este inverno apesar dos avisos técnicos e operacionais, isso é uma "incapacidade profissional e sucessivamente grave" da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e demonstrativo de que não tem condições políticas para continuar.

Contudo, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal recusou-se a usar estas mortes como "arma de arremesso político".

"Vamos ser claros. Não vamos instrumentalizar mortes, nem sequelas permanentes que, em alguns casos, possam ter ocorrido também em função dessas demoras", sublinhou.

Dizendo ainda desconhecer os contactos que são feitos entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o eurodeputado considerou que seja qual for a pressão que está a ser feita, ela não é suficiente porque os casos sucedem-se.

Em sua opinião, há uma pressão que o Presidente da República pode, fruto da sua legitimidade, ter junto do Governo.

"Mas, é muito importante que o Presidente da República nunca se torne uma espécie de governo sombra ou um contrapoder porque isso, normalmente, é sempre um prelúdio para guerrilhas institucionais que são de todo úteis para a democracia, concluiu.

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