Primeiro-ministro apontou ainda o "desinvestimento" herdado e que resultou em "consequências graves" para o País.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, veio lamentar as mortes de utentes por demora no socorro das últimas 48 horas e referiu que o Governo "está a resolver o problema crónico" na Saúde, apontando o "desinvestimento" herdado e que resultou em "consequências graves" para o País. Luís Montenegro admite que as mortes registadas pelo atraso no socorro se devem ao facto de os doentes não terem tido "a resposta mais rápida" possível. As declarações foram feitas durante a abertura do Debate Quinzenal, a decorrer esta quinta-feira no Parlamento.
O primeiro-ministro anunciou a decisão de uma "resposta rápida" na criação de camas em unidades hospitalares intermédias "para poder retirar do sistema casos sociais" que dificultam a resposta nas urgências. "Todos estes investimentos estão enquadrados na reforma profunda do INEM", salientou.
Foi ainda aprovada "a aquisição de novas 275 viaturas para o INEM num investimento que ascende a 16,8 milhões de euros", acrescentando: "São 163 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos, o maior investimento do género na última década".
Luís Montenegro anunciou também que na sexta-feira o Conselho de Ministros vai "aprovar as resoluções para o lançamento do concurso para a construção do novo Hospital do Algarve, uma obra estrutural que se junta a outras como o Hospital de Todos os Santos em Lisboa".
"Já hoje, em reunião entre a ministra da Saúde e a senhora ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, foi também decidido criar uma resposta rápida entre 400 e 500 camas em unidades intermédias para poder tirar do sistema hospitalar casos sociais que retiram capacidade precisamente para as situações de emergência", referiu.
O primeiro-ministro enquadrou "todos estes investimentos" numa "reforma profunda do INEM que está em curso" para que haja "uma mais rápida resposta do serviço de emergência médica".
"Estamos já a implementar a modernização tecnológica dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a alteração do sistema de triagem. Em 2026, prosseguiremos a reforma estrutural da saúde para garantir uma resposta rápida, eficaz e humana em todo o território", prosseguiu.
Sobre a compra de veículos para o INEM, segundo Luís Montenegro, "nos últimos dez anos apenas tinham sido adquiridos para o INEM 100 veículos num total de 4,2 milhões de euros".
"Ou seja, em dez anos foi gasto um quarto do que este Governo decidiu ontem mesmo investir. Estamos a resolver um problema crónico e a inverter um desinvestimento que herdámos com consequências evidentes e graves", sustentou, prometendo "reformas estruturais e transformadoras noutras áreas essenciais" durante 2026.
Montenegro assume que primeira responsabilidade política por falhas na Saúde é sua
"A responsabilidade política: a primeira é minha, com certeza. A responsabilidade política da administração é do Governo. É minha, é dos membros que eu escolho para estarem no Governo, de cada um que tem tarefas na administração e que colaboram ao nível da prestação de serviços", afirmou o primeiro-ministro, durante o debate quinzenal na Assembleia da República.
Luís Montenegro disse não entender o objetivo da pergunta de Rui Tavares, que interpelou o líder do executivo questionando-o sobre de quem era a responsabilidade política por não terem sido ativados protocolos e dezenas de ambulâncias estarem paradas devido à falta de macas.
"É atribuir-me a responsabilidade? Eu cá estou para assumir a responsabilidade toda. Sempre, toda. Eu e qualquer membro do Governo", reforçou.
Três pessoas morreram nas últimas 48 horas enquanto esperavam por meios de socorro, deixando em alvoroço o INEM, os bombeiros e as autoridades de saúde, que abrem inquéritos sem no entanto conseguirem evitar a sucessão de casos.
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