Numa visita que se ficou pelas bancas do mercado e que evitou a zona descoberta da feira, André Ventura teve dificuldades em andar, por entre pessoas que furavam a comitiva e câmaras de televisão.
No Mercado Municipal de Ourém, André Ventura foi colhendo promessas de voto, mas acabou a visita a comprar uma vela contra o mau olhado, que tanto poderá usar para adversários políticos como para "amigos falsos".
Numa visita que se ficou pelas bancas do mercado e que evitou a zona descoberta da feira, André Ventura teve dificuldades em andar, por entre pessoas que furavam a comitiva e câmaras de televisão, à procura de um abraço ou de um beijinho, de tirar uma 'selfie' ou de trocar meia dúzia de palavras com o candidato presidencial.
"Larga o Presidente da República!", exclamou alguém, enquanto uma mulher o abraçava de forma vigorosa e dizia que o líder do Chega iria ganhar nas presidenciais de dia 18.
No final da visita pelo mercado, Ventura ouviu o lamento de Isilda Henriques, de 62 anos, que tinha ali uma banca com um conjunto de variedades (panos, bijuteria, sais, velas e gorros para o inverno) para fazer "mais alguma coisa" além da pensão de viuvez de 240 euros que recebe todos os meses.
Perante o relato, o candidato presidencial foi ver o que poderia ali comprar, fugiu à sugestão de uma vela laranja (a cor do PSD) -- "laranja, não!" - e acabou com uma vela branca contra os maus olhados na mão.
"Uso já hoje à noite para afastar os maus olhados", disse, apontando para os jornalistas, que no passado já os acusou de serem "inimigos do povo".
Confrontado sobre quem lhe poderia lançar maus olhados, disse que há "muitos no país, a bandidagem, a ladroagem", sem especificar.
"Não precisa de ser contra partidos", avisou Isilda Henriques. A vela, afirmou, também poderia ser usada contra "amigos, amigos falsos".
"Agora é que vou mesmo levar isto", disse André Ventura, que é apoiado pelo Chega, partido que, ao longo dos poucos anos de vida, foi acumulando algumas histórias de divisões internas e saídas de militantes e dirigentes.
Para não provocar incêndios, Isilda sugeriu que terá de usar a vela num "local cuidadoso, dentro de um potezinho de barro".
Ventura acabou a pagar 20 euros -- em desconto, que o preço seria de 25 -- pela vela e deixou Isilda mais próxima de votar naquele candidato no dia 18.
A mulher de Almeirim mas a viver em Fátima deixou de trabalhar aos 59 anos, depois de operações aos pulsos e de um ofício nas limpezas que lhe deu cabo "do resto" da sua coluna.
"Não estou entravadinha, então não tive direito à pensão por invalidez", lamentou à agência Lusa a mulher, que nunca votou em André Ventura, mas que assume que já esteve mais longe.
Isilda gosta do discurso de Ventura. "Muito mesmo", acrescentou.
"Ainda não estou completamente convencida, mas com isto tudo que aconteceu aqui, vou pensar", disse.
Antes da arruada, Ventura admitiu aos jornalistas que nem todos os eleitores do Chega estão já decididos para a sua candidatura e quer chegar também a uma "grande parte do eleitorado" da AD (PSD/CDS-PP) que não se revê na candidatura de Marques Mendes.
Também Maria da Purificação, de 74 anos, a vender couves e outras hortaliças no mercado, assumiu alguma indecisão, apesar de já ter votado no Chega no passado.
A Ventura, lamentou-se de que está há mais de dois anos sem médico de família, depois de um beijinho ao candidato.
"É inaceitável, é insustentável, é lamentável", criticou Ventura.
Já à Lusa, Maria da Purificação disse que ainda irá pensar "naquele que a gente veja que é bom" para dia 18, mas admitiu que já está convencida a "uns 80%" com o discurso de Ventura.
Apesar de todo o apoio que Ventura foi recebendo no Mercado de Ourém, Maria da Purificação não sabe se entre os fregueses há muitos ou poucos apoiantes, que pela banca não se fala nem de política nem de futebol.
"Temos que vender a todos os fregueses. Todos temos a nossa ideologia", explicou o marido.
"Presunção e água benta, cada qual toma a que quer", acrescentou Maria da Purificação.
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