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Correio da Manhã

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Merkel vence eleições na Alemanha, sem maioria

Chanceler reeleita para quarto mandato. Shulz é segundo e extrema-direita chega ao Parlamento.
Ricardo Ramos e José Carlos Marques 24 de Setembro de 2017 às 10:01
Angela Merkel
Chanceler alemã Angela Merkel
Chanceler alemã Angela Merkel
Joerg Meuthen e Frauke Petry, líderes do partido Alternativa para a Alemanha,
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Chanceler alemã Angela Merkel
Chanceler alemã Angela Merkel
Joerg Meuthen e Frauke Petry, líderes do partido Alternativa para a Alemanha,
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Chanceler alemã Angela Merkel
Chanceler alemã Angela Merkel
Joerg Meuthen e Frauke Petry, líderes do partido Alternativa para a Alemanha,
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
Angela Merkel
A chanceler Angela Merkel garantiu este domingo a reeleição como chanceler da Alemanha, com um resultado a rondar os 32% dos votos para a CDU. É o que dizem as primeiras projeções do dia eleitoral, segundos depois de as urnas terem fechado no país.

Nas primeiras declarações após o anúncio das projeções de voto, Merkel reagiu com reserva. "Claro que esperávamos um resultado bem melhor. Mas não podemos esquecer-nos de que completámos uma legislatura extraordinariamente desafiante, por isso estou feliz por termos conseguido atingir os objetivos estratégicos da nossa campanha eleitoral", disse a chanceler em Berlim. 

Sobre a formação do novo Governo, Merkel pouco adiantou: "Somos o partido mais forte, temos um mandato para construir o próximo Governo e não pode haver uma coligação contra nós".

Sobre o anúncio do SPD de se retirar da coligação com a CDU, Horst Seehofr, líder da CSU -  partido regional da Bavária desde há muito coligado com a CDU de Merkel - afastou a hipótese de entendimentos com a extrema-direita. "Não queremos uma coligação com a AfD [partido de extrema-direita que ficou em terceiro] ou com o partido da esquerda. Mas todas as forças democráticas devem, pelo menos, falar umas com as outras e explorar o que pode ser alcançado nos próximos anos. Não entraremos em falsos compromissos que possam cimentar a divisão do nosso país".

O jornal Bild revela que o SPD, os socais-democratas de Martin Schulz se ficou pelos 20%. O partido de extrema direita AfD conseguiu 13,5% dos votos e entra pela primeira vez no parlamento alemão.

Segundo este jornal, dos 631 lugares em disputa, a CDU força dos cristãos democratas conseguirá 216, o SPD 133, a AfD 89. Os liberais do FDP chegam aos 70 lugares, os Verdes 63 e os esquerdistas do Die Linke aos 60 deputados.

Merkel ganha as eleições, mas volta a falhar a maioria que lhe permitira governar sozinha. Caso opte por manter a "grande coligação" com o SPD, com quem governou no último mandato, o partido nacionalista Alternativa para a Alemanha será a maior força da oposição. Cenário que se revela pouco provável, uma vez que Martin Schulz, líder do SPD anunciou já este domingo que vai romper o acordo com a CDU.

Fica assim mais próximo o cenário de uma coligação inédita da CDU com liberais e verdes.

Os primeiros resultados confirmam a entrada da extrema-direita no Parlamento Federal pela primeira vez no pós-guerra, confimanodo-se as sondagens que sugeriram que o partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) se tornaria a terceira maior força política nacional. O partido que tem a liderança bicéfala de Frauke Petry e Jörg Meuthen apostou num discurso nacionalista e anti-imigração durante a campanha, criticando a política de acolhimento de refugiados aplicada por Angela Markel.

Em 2013, o partido AfD obteve 4,2% dos votos nas eleições gerais, falhando a meta de 5% que, no sistema alemão, é o mínimo indispensável para alguma força política eleger deputados.

Sondagens perto das projeções de fecho das urnas
As últimas sondagens ontem divulgadas apontavam para uma ligeira descida dos dois principais partidos, com a CDU de Merkel a cair dois pontos para 34% e o SPD de Martin Schulz a perder um ponto, fixando-se nos 21%.

O principal beneficiado desta escorregadela dos partidos tradicionais na reta final da campanha foi o AfD, que subiu dois pontos, para 13%, à frente dos liberais do FDP, dos Verdes e dos esquerdistas do Die Linke. Perante estes números, tanto Merkel como Schulz redobraram ontem os apelos ao voto, temendo que uma abstenção elevada possa favorecer a extrema-direita.

Com uma saúde económica invejável e uma taxa de desemprego a rondar os 4%, Merkel esteve sempre à frente nas sondagens, mesmo quando sofreu uma forte queda de popularidade interna após a muito criticada decisão de abrir as portas a mais de um milhão de refugiados, em 2015.

Schulz, que deixou a liderança do Parlamento Europeu para disputar a chancelaria a Merkel, até entrou bem na pré-campanha, fazendo o partido subir nas sondagens, mas foi perdendo gás após uma série de derrotas a nível regional e não parece ter convencido um eleitorado com medo de arriscar após 12 anos de estabilidade política e prosperidade económica sem precedentes.

PORMENORES
Nova 'grande coligação'
A reedição da atual 'grande coligação' entre a CDU e o SPD é o cenário mais apontado pelos analistas, apesar de alguma resistência entre os social-democratas, indignados por Merkel ter colhido os louros de várias políticas introduzidas pelo partido, como a criação de um salário mínimo nacional.

FDP quer lugar de Schaüble
Os liberais do FDP fizeram saber que uma das condições para integrarem o governo é ficarem com a pasta das Finanças, o que implicaria a saída do atual ministro, Wolfgang Schaüble, aliado e braço-direito de Merkel.
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