page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Bolsonaro arrisca pena mínima de 32 anos de prisão por crimes na gestão da pandemia de Covid-19

Presidente brasileiro será acusado de pelo menos 11 crimes.

17 de outubro de 2021 às 15:44

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, poderá ser condenado a uma pena mínima de 32 anos de cadeia se for condenado por todos os crimes que lhe são imputados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investigou a gestão da pandemia de Coronavírus feita pelo governo central. O relatório final da CPI será divulgado na próxima terça-feira.

De acordo com informações preliminares do relatório divulgadas à imprensa, Jair Bolsonaro, uma das mais de 60 pessoas a quem serão imputados crimes, será acusado de pelo menos 11, entre eles o de disseminação de epidemia com resultado de morte, genocídio de indígenas, desrespeito a normas sanitárias e crimes contra a humanidade.

A possibilidade de o governante brasileiro negacionista ser condenado a 32 anos de pena mínima é uma estimativa por baixo, já que os vários crimes que lhe são imputados pela CPI têm penas extremamente diversas. O crime de epidemia com resultado morte, por exemplo, o mais grave, tem pena prevista de 20 a 30 anos de prisão. O de genocídio de indígenas, o segundo mais grave, de 10 a 15 anos, enquanto ao de desrespeito de norma sanitária corresponde apenas um mês de reclusão, e o crime contra a Humanidade não têm uma pena estipulada, dependendo de julgamento no TPI, Tribunal Penal Internacional, em Haia.

Por enquanto, Jair Bolsonaro tem-se mostrado indiferente às acusações que devem constar no relatório a ser divulgado terça-feira, tem classificado o trabalho da CPI como "um circo cheio de palhaços" e chamou "bandido" ao relator do processo, senador Renan Calheiros. A presunção de impunidade do presidente está baseada no facto de a CPI não ter poder efetivo para o punir, podendo apenas, como vai fazer, sugerir o incriminamento de Jair Bolsonaro por esses 11 crimes ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, o que dificilmente este fará pois o PGR é completamente alinhado ao governo.

Mas se Bolsonaro não conseguir ser reeleito nas presidenciais de 2022, que ele persegue desesperadamente, o cenário muda, aí já não será o seu amigo Aras a analisar o caso e sim o Ministério Público de Brasília, muito menos favorável ao chefe de Estado. Além disso, se não for reeleito, a justiça também não precisará mais de uma autorização especial do Congresso para tornar Bolsonaro arguido dos crimes, e ele poderá ser julgado e, eventualmente, condenado como qualquer outro cidadão, a exemplo do que aconteceu anos atrás com Lula da Silva depois de deixar a presidência.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8