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China censura Papéis do Panamá

Há punições para quem não cumprir.

05 de abril de 2016 às 12:53

Os meios de comunicação chineses terão recebido ordens explícitas para não noticiar as revelações dos Papéis do Panamá. Também nas redes sociais as referências à investigação são escassas e a transmissão de canais de televisão estrangeiros no país, como a estação britânica BBC, é interrompida de cada vez que o caso é mencionado.

"Apaguem todos os conteúdos relativos aos Papéis do Panamá. Não sigam o tema, sem exceções. Se algum material de órgãos de comunicação estrageiros for encontrado nalgum site, este será fortemente punido", lê-se na directiva publicada no China Digital Times.

O Governo chinês classificou hoje a operação Papéis do Panamá com sendo um conjunto de "acusações infundadas" e negou-se a responder se investigará cidadãos chineses donos de empresas 'offshore', entre os quais o cunhado do Presidente chinês, Xi Jinping.

"Sobre essas acusações infundadas não tenho nada a dizer", afirmou hoje um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hong Lei, ao ser questionado sobre a maior investigação jornalística da história.

Especializada em esquemas de evasão fiscal e com uma carteira de clientes prestigiados, a Mossack Fonseca tem mais escritórios na China do que em qualquer outro país, segundo a sua página oficial na Internet. Mantém escritórios nas cidades chineses de Xangai e Shenzhen - dois centros financeiros do país -, as cidades portuárias de Qingdao e Dalian, e as cidades Jinan, Hangzhou e Ningbo.

Jornal oficial do PC Chinês diz que investigação tem propósitos políticos

Jornal oficial do PC Chinês diz que investigação tem propósitos políticos

Um jornal do Partido Comunista da China (PCC) classificou esta terça-feira a operação Papéis do Panamá como uma campanha de "desinformação", em que Washington possui "particular influência", e que tem como alvo líderes de países não ocidentais.

Dirigida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), aquela investigação abrange 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da firma de advogados panamiana Mossack Fonseca.

De acordo com o ICIJ, pelo menos oito atuais ou antigos membros do Comité Permanente do Politburo do PCC, a cúpula do poder na China, terão colocado os seus bens em empresas 'offshore'.

Sob a liderança do atual Presidente chinês, Xi Jinping, Pequim lançou uma persistente campanha anticorrupção, enquanto reprimiu ativistas e dissidentes que exigiam maior escrutínio sobre os titulares de cargos públicos.

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