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Chuvas deixam mais de 300 km2 de terrenos inundados no centro de Moçambique

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais.

05 de janeiro de 2026 às 11:47

Uma análise de imagens de satélite feita pelas Nações Unidas estima 317 quilómetros quadrados (km2) de terrenos inundados nas províncias moçambicanas de Sofala e de Inhambane devido às chuvas que se fazem sentir há vários dias.

Um relatório divulgado pelo Centro de Satélites das Nações Unidas (UNOSAT) com imagens de satélite de recolhidas em 31 de dezembro analisou numa área total de 31.416 km2, sobretudo no centro de Moçambique. No documento refere-se que, dessa área total, 317 quilómetros quadrados "parecem estar afetados por inundações", representando uma exposição "potencial" às cheias de 2.242 pessoas, que vivem nas zonas afetadas, embora se sublinhe que estes dados carecem de verificação no terreno.

As imagens de satélite apontam os distritos de Buzi, Chibabava, Dondo, Gorongosa, Machanga, Muanza, Nhamatanda e cidade da Beira, na província de Sofala (centro), e Govuro, na província de Inhanbane (sul), como os mais afetados.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.

As autoridades moçambicanas resgataram em 24 de dezembro um casal que ficou um dia preso sobre uma rocha devido às inundações no rio Vanduzi, no distrito de Gorongosa, província de Sofala, noticiou então a Lusa.

De acordo com uma nota da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), o casal ficou preso quando tentava atravessar o rio naquele distrito, que faz parte das regiões mais afetadas pelas chuvas registadas nos últimos dias naquela província.

"O casal ficou um dia sobre uma rocha sem comer e beber, surpreendidos pelas águas do rio Vanduzi", refere-se.

Segundo a ANAC, para o resgate do casal foi solicitado o apoio da companhia Zambeze Delta Safaris (ZDS), que usou um helicóptero de combate à caça furtiva e conservação para salvar as vítimas.

Pelo menos 16 pessoas morreram desde outubro devido ao mau tempo em Sofala, centro de Moçambique, anunciaram no final de dezembro as autoridades moçambicanas, referindo que dois óbitos ocorreram em 72 horas devido às chuvas, incluindo uma criança de dois anos, na cidade da Beira, e um idoso no distrito de Búzi, ambos por afogamento.

Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Sofala, as chuvas registadas naquela província afetaram principalmente os distritos de Dondo, Nhamatanda, Búzi, Chibabava e Gorongosa, causando inundações na bacia hidrográfica do Púnguè e na bacia de Búzi.

A Administração Regional de Águas (ARA) do Centro referiu no final de dezembro, em comunicado, que as bacias hidrográficas daquela região de Moçambique estavam a registar ocorrência de chuvas "fortes a muito fortes", levando à contínua subida dos níveis de água, com destaque para as regiões do baixo Búzi e Alto Punguè.

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