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Desinformação russa alcançou 17,7 milhões de visualizações em eleições da Moldávia

Conteúdo foi distribuído em inglês, árabe, russo, francês, turco, japonês, alemão e tailandês.

30 de setembro de 2025 às 13:52

A operação de desinformação russa "Storm-1516" alcançou 17,7 milhões de visualizações na rede social X durante as eleições na Moldávia, embora o país tenha apenas 2,4 milhões de pessoas, revelou um relatório da organização NewsGuard.

O relatório concluiu que, "dias antes das eleições cruciais na Moldávia, a máquina de propaganda 'Storm-1516' ("Tempestade-1516") ligada ao Kremlin, conseguiu espalhar alegações falsas de corrupção contra o Governo pró-Europa da antiga república soviética".

A "Storm-1516" é uma operação de influência russa que teve como alvo as eleições nos EUA e na Alemanha e utiliza Inteligência Artificial (IA), 'sites' falsos e 'bots' na rede social X para amplificar as suas narrativas.

Deste modo, a organização refere a rede "Storm-1516" obteve 17,7 milhões de visualizações, em mais de 2.842 publicações na rede social X, embora o país conte com uma população de 2,4 milhões de pessoas.

O conteúdo foi distribuído em inglês, árabe, russo, francês, turco, japonês, alemão e tailandês.

Esta grande quantidade de conteúdo desinformativo levou a que os maiores 'chatbots' de IA fossem infetados com alegações falsas, respondendo de forma imprecisa em mais de um terço das vezes a perguntas sobre o ato eleitoral.

As principais ferramentas de IA generativa repetiram desinformação sobre a Moldávia em 37% das vezes, indicando uma falha destes modelos em distinguir entre fontes confiáveis e não confiáveis.

Os 'chatbots' DeepSeek, Mistral, Perplexity e Inflection repetiram as alegações falsas do "Storm-1516" sobre a Moldávia em mais da metade das vezes quando receberam um pedido sobre o assunto.

Já o ChatGPT, o Claude e o Gemini repetiram as mesmas alegações falsas em 29%, 25% e 17% das vezes, respetivamente.

Uma das alegações mais repetidas refere a criação de um 'site' falso que se apresentava como um meio de comunicação europeu, alegando que o partido da Presidente Maia Sandu recebeu 15 milhões de euros de uma empresa mineira romena em troca de acesso privilegiado à rede elétrica moldova.

"Ao contrário da abordagem da Matryoshka, que produz dezenas de falsificações com impacto limitado, a 'Storm-1516' parece concentrar-se na qualidade em vez de quantidade, produzindo um número menor de narrativas, mas mais sofisticadas e altamente amplificadas e projetadas para se espalharem rapidamente", lê-se no relatório.

A estratégia de desinformação da Rússia tem demonstrado ter capacidade de se adaptar e evitar o escrutínio público, mantendo a influência, mesmo com as sanções da União Europeia (UE) aos media russos.

A NewsGuard é uma organização especializada na luta contra a desinformação que explora notícias e a forma como a desinformação se espalha 'online', com o objetivo de descobrir as forças que moldam as narrativas falsas disseminadas na internet.

As eleições na Moldávia decorreram no domingo, tendo o partido pró-europeu PAS, da Presidente Maia Sandu, vencido as eleições legislativas com mais de 50% dos votos, pelo que deverá manter a maioria absoluta no Parlamento.

O Partido Ação e Verdade (PAS), no poder desde 2021, obteve 50,03% dos votos, à frente do Bloco Patriótico pró-Rússia, com 24,26% dos votos escrutinados, de acordo com os resultados publicados pela Comissão Eleitoral Central no seu portal na internet.

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