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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Dirigente da Frelimo diz que protestos devem ser conciliados com outros direitos

CNE anunciou em 24 de outubro a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, partido no poder desde 1975.

02 de novembro de 2024 às 17:21

O dirigente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) Celso Correia, também ministro da Agricultura, afirmou este sábado que o direito ao protesto deve ser conciliado com outros direitos fundamentais, face às manifestações pós-eleitorais no país.

"A Frelimo defende o princípio de paz e valores de paz. Estamos contra qualquer tipo de violência. Acreditamos que os direitos de todos os cidadãos têm que ser salvaguardados, tanto o direito de protesto como também o direito à vida, à livre circulação", disse Celso Correia, membro da comissão política da Frelimo e chefe da brigada central de assistência à província de Inhambane.

Em declarações aos jornalistas após um encontro com jovens das cidades de Inhambane e Maxixe, no sul de Moçambique, Celso Correia garantiu que a Frelimo deseja que o processo eleitoral decorra "com o máximo de transparência possível" e "que se valorizasse o trabalho das instituições de uma forma transparente e credível".

"Para também convencer o grupo de moçambicanos que ainda não tem confiança nos resultados. É muito importante que o processo de apuramento possa ser o máximo transparente possível para termos a paz social, que é muito importante para a construção de Moçambique, na certeza e confiantes de que, de facto, o nosso candidato [a Presidente da República] Daniel Francisco Chapo tem esta ponderação para, depois de um processo eleitoral conseguir trazer a coesão entre o povo moçambicano", disse o influente dirigente da Frelimo.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou em 24 de outubro a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, partido no poder desde 1975, na eleição a Presidente da República de 09 de outubro, com 70,67% dos votos.

Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos, extraparlamentar), ficou em segundo lugar, com 20,32%, mas afirma não reconhecer estes resultados, que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.

A cidade de Maputo viveu este sábado um cenário de alguma normalidade, após dois dias consecutivos de protestos por parte de manifestantes pró-Venâncio Mondlane, com intervenção policial e corte de ruas e avenidas com contentores do lixo e arremesso de pedras, o que obrigou ao lançamento de gás lacrimogéneo para dispersar.

Contudo, no centro da cidade de Maputo, a grande parte do comércio mantém-se fechado, embora com maior número de pessoas e transportes públicos a circular na capital moçambicana, face aos anteriores.

Nos subúrbios, quase todos os mercados funcionam normalmente, com elevada procura, conforme a Lusa constatou, sem reforço policial visível pelas ruas da capital.

A polícia moçambicana enviou na madrugada de quinta-feira, primeiro dia dos sete de paralisação convocados por Mondlane, mensagens escritas para os telemóveis (SMS) pedindo à população que se abstenha de "práticas criminosas".

Este sábado, pelo terceiro dia consecutivo, o acesso a várias plataformas de redes sociais, através de Internet de operadores moveis, apresenta limitações, pelo menos em Maputo.

Venâncio Mondlane apelou a uma greve geral e manifestações durante uma semana em Moçambique, a partir de 31 de outubro, e marchas em Maputo em 07 de novembro.

O candidato presidencial designou esta como a terceira etapa da contestação aos resultados das eleições gerais de 09 de outubro anunciados há uma semana pela CNE, que se segue aos protestos realizados nos passados dias 21, 24 e 25.

Os protestos degeneraram em confrontos com a polícia, de que resultaram pelo menos 10 mortos, dezenas de feridos e 500 detidos, segundo o Centro de Integridade Pública, uma organização não-governamental moçambicana que monitoriza os processos eleitorais.

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