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Doença X mais mortal que a Covid-19 pode estar mesmo "ao virar da esquina", alertam especialistas

Professor de epidemiologia pede planeamento devido ao risco de uma nova doença emergir.
Correio da Manhã 28 de Janeiro de 2021 às 08:52
Coronavírus
Coronavírus FOTO: Getty Images
Numa altura em que o mundo enfrenta a terceira onda da Covid-19 e que ambiciona o fim do 'pesadelo', uma nova pandemia é tudo o que não se quer ouvir. 

Porém, muitos cientistas alertam para a necessidade de haver mais planeamento para uma possível nova pandemia à medida que uma "doença X", mais mortal que a Covid-19, começa a ser investigada pelos especialistas. 

Mark Woolhouse, professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Universidade de Edimburgo, alerta que a "doença X" que pode estar mesmo "ao virar da esquina". O especialista afirma que em 2017, ele e colegas seus, conseguiram que a Organização Mundial da Saúde (OMS) adicionasse a Doença X à sua lista de doenças prioritárias.

Na altura, Woolhouse e colegas consideraram que uma próxima pandemia adviria de uma doença ainda desconhecida. Em 2018, os especilialistas consideraram que um novo coronavírus relacionado a Mers ou Sars poderia ser uma das doenças que levaria a uma pandemia. 

E, agora, o especialista afirma que o surgimento da 'doença X', não é uma questão de "se", mas sim "quando".

"Não podemos determinar quando, é claro. O mecanismo preciso pelo qual um vírus emerge é sempre extremamente imprevisível. Nunca se pode prever eventos precisos, então tem de se fazer isso com base na probabilidade de bases estatísticas", afirmou. 

Jean-Jacques Muyembe Tamfum, professor e médico que ajudou a descobrir a ébola, lançou o mesmo alarme sobre o surgimento de novas doenças. O especialista avança ainda que novas pandemias serão mais prejudiciais e fatais que a Covid-19.

De acordo com este cientista, o futuro parece adivinhar-se mais "apocalíptico" do que o presente.

Muyembe Tamfum dirige atualmente o Instituto Nacional de Investigação Biomédica em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, e alerta que mais doenças zoonóticas - que se transmitem de animais para humanos - estão nas previsões da comunidade científica. 

Na origem destas doenças zoonóticas no horizonte estão práticas ambientais insustentáveis que a humanidade tem vindo a adotar. A indústria da carne, descreve o jornal Daily Star, geralmente mantém o gado em alojamentos fechados e anti-higiénicos, aumentando assim a probabilidade de doenças transmissíveis para os humanos em ambientes como os mercados húmidos da China.

Com a destruição ambiental que tem vindo a ganhar espaço, muitas espécies não sobreviveram e animais pequenos como ratos e morcegos adaptaram-se. Como? Passaram a viver cada vez mais perto dos humanos e este é o ambiente perfeito para doenças zoonóticas prosperarem.
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