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Correio da Manhã

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Gianni Infantino nega ter cometido "qualquer ilegalidade"

Presidente da FIFA foi referido no caso "Papéis do Panamá".
5 de Abril de 2016 às 23:17
O presidente da FIFA, Gianni Infantino
O presidente da FIFA, Gianni Infantino FOTO: Jorge Adorno/Reuters
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, negou esta terça-feira ter cometido "qualquer ilegalidade" enquanto antigo responsável jurídico da UEFA, no âmbito da assinatura de um contrato duvidoso com uma sociedade 'offshore' de cedência de direitos televisivos.

"Pessoalmente, nunca tive nenhum contacto com a empresa 'Cross Trading' nem com os seus proprietários, já que o processo foi conduzido por uma empresa de 'marketing' em nome da UEFA. Estou conternado, nada sugere que qualquer ilegalidade tenha sido cometida por mim ou pela UEFA e não aceitarei que a minha integridade seja posta em causa. Tanto mais que a UEFA já deu a conhecer todos os pormenores relativos a estes contratos", afirmou, em comunicado.

De acordo com alguns títulos da imprensa europeia, citando os designados "Papéis do Panamá", Gianni Infantino terá intermediado enquanto dirigente da UEFA um negócio de cedência de direitos televisivos com uma sociedade 'offshore', por um montante bastante abaixo dos valores de mercado.

De acordo com a imprensa, o recém-eleito presidente da FIFA assinou em 2006 e 2007, enquanto responsável do departamento jurídico da UEFA, contratos de cedência de direitos televisivos relativos a três temporadas da Liga dos Campeões.

Os contratos terão sido assinados com a empresa 'Cross Trading', dos empresários argentinos Hugo e Mariano Jinkins, que alegadamente compraram os direitos televisivos por 111 mil dólares (cerca de 97,5 mil euros) e os revenderam por mais de 311 mil dólares (273 mil euros).

Os dois empresários são acusados pela justiça norte-americana de subornos no quadro do escândalo de corrupção que abalou o organismo máximo do futebol mundial.

Os "Papéis do Panamá" são o resultado da maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, envolvendo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington.

Na investigação são destacados os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas "offshore" em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em "offshores" e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.
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