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Harvey Weinstein considerado culpado de duas das cinco acusações de violação

Seis alegadas vítimas de abuso sexual testemunharam contra o homem de 67 anos.

24 de fevereiro de 2020 às 16:54

O produtor de Hollywood foi considerado culpado de violação e abuso sexual por um júri nova-iorquino. O júri composto por sete homens e cinco mulheres demorou cinco dias a chegar à decisão.

O produtor foi considerado culpado de duas acusações, tendo outra três caído. De acordo com o jornal The New York Times, Weinstein foi considerado culpado de ter perpetuado um crime sexual e de violação, mas foi absolvido das acusações de comportamento sexual predatório.

Seis alegadas vítimas de abuso sexual testemunharam contra o homem de 67 anos.

O júri considerou provado que Miriam Haleyi, uma assistente de produção da empresa de Weinstein foi forçada a receber sexo oral ao produtor em 2006, e a aspirante a atriz Jessica Mann, foi violada num quarto de hotel de Manhattan em 2013.

As acusações contra o produtor de cinema - detido em maio de 2018 - deram oridem em 2017 ao movimento #metoo que se espalhou um pouco por todo o mundo. Harvey chegou a admitir que o seu comportamento "causou muita dor", mas negou consistentemente todas as alegações sexuais feitas contra si.

Ao júri do Supremo, Haleyi, agora com 42 anos, contou que tentou fugir. "Disse-lhe que não queria que aquilo acontecesse. ‘Isto não vai acontecer, estou com o período’". Depois disso, segundo diz, Weinstein tirou-lhe o tampão e fez-lhe sexo oral enquanto a agarrava. Questionada pela defesa do ex-produtor de Hollywood, Miriam Haleyi admitiu ter aceitado viagens para Los Angeles e Londres já depois do alegado ataque. Defendeu que precisava de trabalho.

Jessica Mann, que acusa Weinstein de violação, assegurou em tribunal que começou uma relação "degradante" com o antigo produtor que não envolveu relações sexuais até ao dia em que este a terá violado.

"Eu sei que a minha relação com ele foi complicada. Isso não altera o facto de que ele me violou", disse depois de ser interrogada pela defesa de Weinstein. O seu testemunho foi interrompido quando a mesma não conseguiu continuar a ler um email que escreveu em 2014 onde apelidava Weinstein de ser um "pseudo-pai" para ela. A defesa sugeriu, repetidamente, que a mulher decidiu ter relações sexuais de livre vontade para subir na carreira.

O julgamento ocorre cerca de dois anos após o jornal The New York Times e de a revista The New Yorker terem publicado, em outubro de 2017, reportagens a denunciar o escândalo sexual no meio cinematográfico norte-americano.

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