Responsável frisou que são fundadores e acionistas maioritários, com cerca de 90% das participações da Somoil, Almeida e Sousa, Ana Nunes e Salgado da Costa.
O presidente do conselho de administração da Somoil, maior petrolífera privada angolana, disse esta quarta-feira que a empresa é uma sociedade anónima e nenhum dos nomes citados na imprensa, entre eles Manuel Vicente, fazem parte da estrutura acionista da mesma.
"Essa questão é-nos posta quase diariamente. A Somoil é uma sociedade anónima, tem 11 acionistas e nenhum desses acionistas são os nomes que aparecem na imprensa. Na imprensa, pelo menos os que eu mais oiço é o engenheiro Manuel Vicente, Joaquim David, vários gestores da nossa indústria no passado são os que aparecem muito na media e nas notícias, nenhum deles é acionista", disse Edson dos Santos.
O responsável, que falava esta quarta-feira com jornalistas sobre os resultados da empresa em 2022, frisou que são fundadores e acionistas maioritários, com cerca de 90% das participações da Somoil, Almeida e Sousa, Ana Nunes e Salgado da Costa.
João André, administrador da Somoil, explicou que a Somoil surgiu nos anos 2000, em 2003 entrou em atividade na área de consultoria e em 2007 entrou para o negócio dos petróleos.
"Trabalharam na indústria durante muitos anos, passaram à reforma, tinham energia, tinham o conhecimento e decidiram fazer uma 'venture' e a coisa que conheciam melhor era petróleo", disse.
Face ao significativo crescimento da empresa e aquisições de ativos, nos últimos anos, têm surgido rumores que estarão associados aos acionistas da Somoil antigos dirigentes da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) entre os quais o antigo presidente do conselho de administração da petrolífera estatal e ex-vice-presidente da República, Manuel Vicente, durante a Presidência de José Eduardo dos Santos.
Edson dos Santos disse que a Somoil tem recorrido para a maioria das suas aquisições a fundos próprios e à banca, maioritariamente internacional, para empréstimos.
Segundo o presidente do conselho de administração (PCA), foi o caso no processo de aquisição do Bloco 14/14K realizado através de um sindicato bancário liderado pelo Afreximbank, "um dos bancos que ainda continua a acreditar no petróleo, nos combustíveis fósseis".
O PCA da Somoil destacou alguma timidez da banca angolana para este setor, pelo que a empresa tem procurado "informar mais sobre a rentabilidade deste negócio e ajudá-los a arriscar um bocado mais".
"Nós agora estamos a trabalhar no financiamento do dossiê Galp, um pouco mais caro, são valores mais elevados, e aqui esperamos que a banca angolana participe de forma um bocado mais ativa, mas uma grande parte, mais uma vez, acreditamos que será com a banca internacional", adiantou.
A Galp Energia anunciou em fevereiro que iria vender à Somoil as suas participações na exploração e produção de petróleo em Angola, operação que deverá estar concluída no segundo semestre deste ano.
A transação deverá chegar aos 830 milhões de dólares (cerca de 777 milhões de euros ao câmbio da altura).
Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp informou que o valor da venda da operação de 'upstream' (extração e produção) em Angola compreende um montante de 655 milhões de dólares a receber na conclusão do negócio e 175 milhões de dólares entre 2024 e 2025, dependentes do preço do petróleo.
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