Primeiro-ministro não se compromete com data para a retirada das forças israelitas de zona-tampão ocupada após a queda de Bashar al-Assad.
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Netanyahu, que na terça-feira visitou as tropas israelitas estacionadas no monte Hermon, uma elevação estratégica de onde é visível a capital síria, Damasco, deu a entender que a ocupação vai continuar nos tempos mais próximos. “Estamos aqui para decidir sobre a presença das Forças de Defesa de Israel nesta importante posição até ser encontrada outra solução que garanta a segurança de Israel”, disse o chefe do Governo aos militares.
Imediatamente após a queda do regime de Bashar al-Assad, as forças israelitas entraram em território sírio e ocuparam posições na zona desmilitarizada junto aos montes Golã, criada em 1973 após a Guerra do Yom Kippur, garantindo que se tratava de uma operação “limitada e temporária” para garantir a segurança das suas fronteiras. O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, já tinha dado, no entanto, a entender que a ocupação seria prolongada, ao pedir aos militares para se prepararem para “passar o inverno” nas novas posições.
Além de ocuparem a zona desmilitarizada, as forças israelitas lançaram nas últimas semanas centenas de ataques aéreos contra bases militares sírias, para garantir que o equipamento deixado pelas tropas de Assad não acabasse nas mãos de grupos terroristas, tendo destruído cerca de 80% da capacidade militar do país.
Na semana passada, o Governo de Netanyahu aprovou ainda um plano para expandir os colonatos nos montes Golã com o objetivo declarado de duplicar a população naquela região ocupada por Israel desde 1967 e anexada unilateralmente em 1981, numa decisão não reconhecida internacionalmente.
Queda de Assad destapa “máquina de morte”
Com a queda de Bashar al-Assad, começam a vir à luz do dia as atrocidades cometidas pelo seu regime durante a longa guerra civil iniciada em 2011. Há muito que eram conhecidos os massacres de civis, as execuções sumárias, os desaparecimentos e a tortura de opositores, mas os relatos vindos a público nas últimas duas semanas vieram dar uma dimensão ainda maior ao horror sofrido pela população síria.
O maior testemunho dessas atrocidades são as valas comuns que estão a ser descobertas em várias regiões sírias e que, segundo um investigador de crimes de guerra, apontam para uma “máquina de morte” sem precedentes nas últimas décadas.
“Não se via nada assim desde os nazis”, garante Stephen Rapp, que participou nas investigações internacionais aos crimes de guerra no Ruanda e na Serra Leoa e que lidera atualmente a Comissão Internacional para a Justiça Internacional e a Responsabilização.
Segundo este responsável, estima-se que mais de 150 mil pessoas tenham sido executadas pelo regime de Assad desde 2011. Investigadores sírios e internacionais acreditam que só numa vala comum na localidade de Najha, 40 quilómetros a norte de Damasco, podem estar sepultados os corpos de mais de 100 mil vítimas da tortura e repressão do regime.
“Da polícia secreta que fazia desaparecer as pessoas das suas casas aos carcereiros e interrogadores que as torturaram e mataram à fome, aos condutores dos camiões e das escavadoras que esconderam os corpos, milhares de pessoas trabalharam neste sistema de extermínio, um sistema de terror ao serviço do Estado que se tornou uma verdadeira máquina de morte”, acusa Rapp.
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