Primeiro-ministro húngaro acredita num envolvimento da Ucrânia, algo que as autoridades sérvias já negaram.
O primeiro-ministro húngaro afirmou esta segunda-feira que o país vive um período muito crítico, após uma alegada tentativa de sabotagem de um gasoduto na Sérvia, e voltou a admitir envolvimento da Ucrânia, algo que as autoridades sérvias já negaram.
"A segurança energética do país não é uma questão de campanha, é uma questão de governo, e isso exige calma, calma estratégica, não teatro, não palhaçada, mas uma mão calma, firme e segura", disse Viktor Orbán, citado pelo site de notícias Euronews.
As autoridades sérvias abriram no domingo uma investigação depois de agentes do Exército e da Polícia terem encontrado duas mochilas e dois grandes pacotes de explosivos com detonadores perto do gasoduto Balkan Stream, na localidade de Kanjiza, na fronteira com a Hungria.
O primeiro-ministro convocou um Conselho de Defesa extraordinário na tarde de domingo e anunciou o reforço da proteção militar do troço húngaro do gasoduto, uma extensão do Turk Stream, que abastece a Sérvia e a Hungria de gás natural russo.
Esta segunda-feira de manhã, Orbán deslocou-se a Kiskundorozsma, perto da fronteira com a Sérvia, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, para inspecionar o reforço militar.
"Ainda não se sabe quem preparou a operação de sabotagem contra o gasoduto Turk Stream. Os sérvios estão a investigar, mas, ao mesmo tempo, o ocorrido encaixa-se numa série de eventos, e os ucranianos têm essa capacidade e estão dispostos e aptos a fazer algo assim", disse o primeiro-ministro à imprensa, no local.
O chefe do Governo húngaro afirmou que não prejudicaria ainda mais as relações entre Budapeste e Kiev acusando a Ucrânia sem conhecer os factos e que aguardaria a conclusão das investigações.
Depois de sublinhar que o país vive um momento muito crítico, na última semana da campanha para as eleições legislativas do próximo domingo, Viktor Orbán enfatizou: "Recomendo a todos que não vejam isto como uma questão de campanha. Vejo que não fomos nós que fizemos disso uma campanha, mas sim os nossos adversários".
As Forças Armadas da Sérvia afirmaram que o dispositivo explosivo foi fabricado nos Estados Unidose e suspeitam do envolvimento de imigrantes.
"Não é verdade que os ucranianos tentaram sabotá-lo", disse Duro Jovanic, diretor do serviço antiterrorista das Forças Armadas da Sérvia.
"Tínhamos informações de que um indivíduo pertencente a um grupo de migrantes está a tentar realizar um ato de sabotagem contra a infraestrutura de gás", afirmou o responsável sérvio, citado pelo jornal online húngaro Világgazdasag.
"Segundo as nossas informações, trata-se de um adulto apto para o serviço militar, que certamente será detido. A única questão é se a investigação durará três dias ou vários meses", acrescentou.
O Ministério Público de Subotica (Sérvia) instaurou processos por produção, posse e distribuição ilegais de armas e explosivos, bem como pelo crime de sabotagem, refere o mesmo jornal online.
Ainda segundo a imprensa húngara, Viktor Orbán foi questionado esta segunda-feira sobre a declaração do líder do partido opositor Tisza, Péter Magyar, que afirmou que os russos conspiraram com os sérvios e que Viktor Orbán esteve nos bastidores.
"E os marcianos, claro", ironizou o primeiro-ministro, que defendeu que o assunto "exige mais seriedade".
O primeiro-ministro, candidato a um quinto mandato à frente do Governo húngaro, avisou que se este gasoduto for bloqueado, "será um grande problema".
"A Ucrânia já bloqueou um gasoduto em 2022, mas, ao aumentar a capacidade do Turk Stream, conseguimos abastecer a Hungria com energia. Se esse fornecimento for interrompido, centenas de milhares de famílias húngaras ficarão sem energia", alertou.
Orbán afirmou que o problema da segurança energética da Hungria ultrapassa o período eleitoral.
Insistiu que a Europa caminha para uma crise energética extremamente grave, devido ao conflito no Médio Oriente, voltando a defender a suspensão das sanções ao gás e petróleo russos.
"A ameaça à infraestrutura húngara persistirá até que a decisão negativa sobre a energia russa seja revertida na Europa e a ordem normal anterior à guerra seja restaurada, quando a energia poderia ser importada para a União Europeia de todas as direções, inclusive do Leste", sustentou.
No domingo, a Ucrânia negou qualquer envolvimento no caso.
Entretanto, Moscovo já reagiu: a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, classificou o ato como uma ameaça direta à independência húngara.
O incidente ocorre no arranque da última semana da campanha das legislativas húngaras, nas quais Péter Magyar surge como favorito nas sondagens, podendo afastar Viktor Orbán do poder, ao fim de 16 anos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.