Forças de Defesa e Segurança encontram-se no terreno a verificarem a situação.
Pelo menos seis pessoas morreram no ataque de quarta-feira à aldeia de Pulo, no distrito de Metuge, na província moçambicana de Cabo Delgado, avançaram hoje à Lusa fontes locais.
Tratou-se de um ataque ocorrido a pouco menos de 30 quilómetros da sede distrital de Metuge, por volta das 14h00 (12h00 em Lisboa) de 6 de março, quando as vítimas tentavam fugir da invasão dos insurgentes à aldeia, acrescentaram as fontes.
"Mataram seis pessoas. E o mais estranho é que quando um deles é atingido e estatelado no chão, os rebeldes o reconheceram e identificaram", relatou à Lusa uma fonte a partir de Metuge.
Inicialmente, conforme noticiado pela Lusa, foi confirmado apenas uma vítima mortal neste ataque.
Segundo a mesma fonte, a atitude demonstrada pelos terroristas, após a invasão da aldeia, confirma suspeitas de membros da própria comunidade entre os insurgentes, facilitando a incursão.
"Para além de falarem o nome de uma das vítimas mortais, os rebeldes reconheceram também o chefe da aldeia, quando este encontrava-se a fugir de motorizada", relatou a fonte.
No mesmo ataque a Pulo, os insurgentes queimaram quatro casas da comunidade, todas de construção precária.
"Fizeram estragos, também queimaram casas dos residentes", lamentou uma das vítimas, a partir de Metuge.
Desde o ataque, as Forças de Defesa e Segurança encontram-se no terreno a verificarem a situação.
Mais de 70 alunos de uma escola em Pulo foram fechados, neste ataque, durante horas na sala de aula, por insurgentes que atacaram a aldeia moçambicana, mas acabaram por sair ilesos, relataram à Lusa, anteriormente, fontes locais.
O grupo, que incluiu o professor daquela escola, no distrito de Metuge, foram apanhados de surpresa durante o ataque do grupo terrorista, quando assistiam à aula de ciências naturais, do quinto ano (ensino primário), com os insurgentes a entraram na sala, obrigando-os a permanecer no interior.
"Foi uma situação de tirar o sono. O meu filho estava lá, os rebeldes chegaram e obrigaram todos a permanecer na sala enquanto aguardavam ordens sei lá de quem", contou à Lusa uma fonte da comunidade local, a partir de Metuge, que recebeu a criança quatro horas depois.
De acordo com outras fontes da aldeia, os insurgentes disseram à população que não pretendiam maltratar as crianças e que as prenderam na escola para evitar as comunicações, enquanto queimavam as casas e saqueavam os produtos.
Depois de vários meses de relativa normalidade nos distritos afetados pela violência armada em Cabo Delgado, a província tem registado, há algumas semanas, novas movimentações e ataques de grupos rebeldes, que têm limitado a circulação para alguns pontos nas poucas estradas asfaltadas que dão acesso a vários distritos.
A nova vaga de ataques terroristas em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, provocou 99.313 deslocados em fevereiro, incluindo 61.492 crianças (62%), indicou uma estimativa divulgada esta semana pela Organização Internacional das Migrações (OIM).
O ministro da Defesa Nacional moçambicano, Cristóvão Chume, confirmou em 29 de fevereiro ataques de insurgentes em quatro distritos da província de Cabo Delgado, mas garantiu não se trata "de um recrudescimento" das atividades terroristas no norte.
"Eu quero dizer que não é isso que está a acontecer, porque se fosse efetivamente isso, estaríamos a dizer que há distritos ou sedes distritais que estão ocupadas, sem acesso das populações. O que aconteceu é que há grupos pequenos de terroristas que saíram dos seus quartéis, lá na zona de Namarussia - que temos dito que é a base deles -, foram mais a sul, atacaram algumas aldeias e criaram pânico", disse Cristóvão Chume.
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