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A morte da primeira mulher e da filha bebé e o cancro fatal do filho: Biden, da tragédia ao triunfo

O CM traça-lhe o perfil do novo presidente dos EUA, com origens humildes e com uma vida marcada pela morte.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 7 de Novembro de 2020 às 19:01
Joe e Jill Biden
Joe e Jill Biden FOTO: Reuters

Joe Biden tornou-se este sábado o 46.º presidente dos EUA ao vencer Donald Trump, que procurava um segundo mandato à frente do país. Biden é já um ‘figurão’ no panorama político dos EUA, mas nem por isso a vitória deixa de ter um sabor especial.

Discreto, o novo presidente não podia contrastar mais com o seu antecessor, começando logo pelas origens humildes de Joe Biden. Olhando ao perfil e biografia de Biden, é possível também traçar uma vida marcada pela tragédia, mas também pela resiliência e recuperação, mesmo na pior das ocasiões. Um homem de esperança, tem à sua frente o desafio da pandemia de Covid-19 que devasta o país, e o mundo.

Joe Robinette Biden Jr. Nasceu em novembro de 1942, no seio de uma família tradicional irlandesa e católica, nos arrabaldes de Scranton, na Pensilvânia – precisamente o estado que veio a garantir-lhe a vitória nas presidenciais.

 O pai era vendedor de carro mas, quando a crise dos anos 50 chega à cidade, o desemprego chega e a família Biden é obrigada a mudar-se para Delaware. Joe tinha 10 anos, mas já aí o pai era uma inspiração.

"Ele dizia-me sempre: ‘Campeão, quando te mandam abaixo, tu levantas-te logo’", admite o novo presidente dos EUA.

Foi no Delaware que cresceu na política. Na adolescência foi nadador-salvador num bairro social, o que lhe deu uma visão sobre as desigualdades sociais e económicas do país. Estudou Direito na Universidade de Delaware e na Universidade de Syracuse; o facto de não ser formado numa das universidades de ‘elite’ é motivo de orgulho para Biden.

Leva toda a vida a ser gozado por um problema de fala: a gaguez. Alvo de bullying, chamavam-lhe ‘Dash’ maldosamente (significa ‘acelera’) os colegas da escola. Mas ultrapassou o problema e até já prestou aconselhamento a jovens que sofrem do mesmo problema.

Com uma carreira como advogado e procurador, casa com Nellia Hunter em 1966. A tragédia abate-se sobre a família em 1972. Nellia e a pequena Naomi, filha do casal, com apenas um ano, morrem num acidente de viação quando saíram para as compras de Natal.

Os outros dois filhos, Robert e Beau, ficam feridos no acidente. Biden fica com a família a cargo chega a ponderar abandonar a carreira política.

Encontra o conforto num novo amor, Jill Jacobs, que só em 1975, e após 5 pedidos de casamento, aceita casar-se com Biden. A relação trouxe-lhe uma filha, Ashley, e novo alento. Tenta um primeiro ensaio como candidato democrata em 1987 e falha. Volta a concorrer 20 anos depois, tendo Barack Obama como adversário, e que viria a tornar-se presidente dos EUA.

Bama viu no adversário um conselheiro de peso e, por isso, fez dele aliado na campanha. Foi enquanto vice-presidente, em 2015, que Biden volta a sofrer um duro golpe.

O filho Beau, também com uma brilhante carreira política, morre aos 46 anos após uma dura luta contra um cancro no cérebro

Biden admite que a morte de um familiar quase voltou a revelar-se suficiente para o fim da carreira política, mas com a família encontrou forças para continuar. Acompanhou Obama no segundo mandato e, para as presidenciais deste anos, bate os concorrentes do partido mais radicais, como Bernie Sanders ou Alexandria Ocasio Cortez.

Apesar da provação e da tragédia, o esforço, capacidade de resistência e dedicação revelaram-se armas poderosas, que foram capazes de conduzir Joe Biden até à Casa Branca.

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