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Apesar dos progressos, ainda existem aproximadamente 975 campos minados em Angola, 192 dos quais situam-se ao longo do estratégico Corredor do Lobito. Princesa Diana visitou o campo em 1997.
Príncipe Harry segue os passos de Diana e atravessa campo de minas em Angola
AP
O Presidente de Angola, João Lourenço, recebeu esta quinta-feira o Príncipe Harry, Duque de Sussex, com o objetivo de reforçar as ações de desminagem da organização britânica HALO Trust, a quem manifestou intenção de financiar as operações por mais três anos.
O Presidente angolano, João Lourenço, quer o país livre de minas até 2027 e anunciou em outubro de 2024 que vão ser investidos nos próximos dois anos cerca de 240 milhões de dólares (220 milhões de euros) no programa de desminagem. A visita do Príncipe Harry, de regresso ao país depois de, em 2019 ter percorrido um antigo campo de minas em Huambo -- o mesmo que a sua mãe, a Princesa Diana, visitou em 1997 -- assinala um esforço diplomático para renovar o compromisso do governo angolano e dar um novo impulso político e financeiro para desminar o país.
Apesar dos progressos, ainda existem aproximadamente 975 campos minados em Angola, 192 dos quais situam-se ao longo do estratégico Corredor do Lobito. Estima-se que sejam necessários cerca de 240 milhões de dólares para concluir completamente a limpeza, incluindo obstáculos que condicionam infraestruturas como o caminho-de-ferro e o porto do Lobito.
O responsável observou que as províncias de Luanda, Icolo e Bengo, Benguela, Huambo, Zaire, Namibe, Cuanza Norte, Uíje e Malanje têm contaminação reduzida, e estão perto de serem declaradas livres de áreas minadas conhecidas.
Leonardo Sapalo realçou que no país existem 975 áreas minadas identificadas, o correspondente a 57.905.679 metros quadrados, com predominância para as províncias do Bié, Cuando, Cubango, Cuanza Sul, Moxico e Moxico Leste.
Segundo o diretor-geral da ANAM, brigadeiro Leonardo Sapalo, o pedido está justificado com base num programa preestabelecido, que já foi apresentado em 28 de março deste ano e contou com a colaboração dos parceiros de Angola na luta contra as minas, designadamente a direção de engenharia e infraestruturas das Forças Armadas Angolanas (FAA), o centro nacional de desminagem, as Organizações Não-Governamentais APACOminas, Ajuda Popular da Noruega, APOPO, The HALO Trust, MAG, bem como a direção dos assuntos multilaterais do Ministério das Relações Exteriores.
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O país lusófono projetou o alargamento de 2026 a 2030, tendo em conta que o prazo vigente prescreve a 31 de dezembro deste ano.
De acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Angola, a Agência Nacional de Ação contra Minas (ANAM) vai apresentar o pedido formal durante a 22.ª reunião dos Estados-parte da Convenção, entre 01 e 05 de dezembro, em Genebra, Suíça.
Angola anunciou em junho que vai pedir, pela terceira vez, por mais cinco anos, a prorrogação do prazo para se livrar de minas antipessoal, como obriga o artigo 5.º da Convenção de Otawa, anunciou esta quinta-feira o Governo angolano.
A HALO Trust opera em Angola desde 1994, tendo já removido milhares de minas e dispositivos explosivos e considera Angola um parceiro estratégico.
Angola tem ainda milhares de campos minados, vestígios do longo conflito armado que terminou em 2002, e que continuam a representar uma ameaça direta à vida das populações e um entrave ao desenvolvimento.
De acordo com uma nota da Presidência da República, que não menciona o novo financiamento, o Príncipe Harry está em Angola com o objetivo de "fortalecer o trabalho desempenhado pela sua instituição, ligado fundamentalmente a tarefas de desminagem".
Em comunicado, o responsável agradeceu ao chefe de Estado angolano a "extraordinária dedicação e investimento na visão de um país livre de minas", acrescentando que João Lourenço manifestou a intenção de apoiar a continuidade do trabalho com "um novo contrato significativo para os próximos três anos", sem detalhar valores.
O anúncio foi feito pelo diretor executivo da organização não governamental, James Cowan, que comunicou o novo compromisso de Angola com o financiamento das operações por mais três anos.
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