Chiquinho Brazão, Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa foram presos pela Polícia Federal em março passado e negam todas as acusações.
O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro constituiu esta terça-feira arguidos os três acusados de serem os mandantes da morte da vereadora Marielle Franco, assassinada a tiro em 14 de março de 2018 numa rua da cidade do Rio de Janeiro ao lado do seu motorista, Anderson Gomes. Os três acusados foram tornados arguidos pela unanimidade dos cinco juízes da Primeira Turma do STF, que aceitaram cabalmente a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Foram constituídos arguidos como mandantes o deputado federal Chiquinho Brazão, o irmão dele, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e o antigo chefe da polícia do mesmo estado, Rivaldo Barbosa. Os três foram presos pela Polícia Federal (PF) em março passado, e negam todas as acusações.
Além dos três, acusados de serem os mandantes do duplo homicídio, foram constituídos arguidos outros dois acusados, que também estão presos. O major da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronald de Paula, acusado de ter monitorizado os passos de Marielle Franco para decidir o melhor momento para a matar, e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brasão e acusado de ter fornecido a poderosa arma com que a vereadora e o seu motorista foram mortos com uma única rajada.
O autor confesso dos disparos, o ex-sargento da principal força de elite da Polícia Militar do Rio Ronnie Lessa, preso desde o início de 2019, fez um acordo de colaboração com a justiça, indicando os irmãos Brazão e o antigo chefe da polícia do Rio de Janeiro como os mandantes do brutal crime, que teve repercussão internacional. Como uma das contrapartidas da justiça à sua colaboração, Ronnie foi transferido na semana passada da Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, para uma prisão estadual em Tremembé, no interior do estado de São Paulo, muito mais perto do Rio de Janeiro, onde vive a família, e bem menos rigorosa do que a anterior.
De acordo com Lessa, os irmãos Brazão, muito influentes no Rio de Janeiro, contrataram-no para ele matar a jovem vereadora de esquerda, que tinha 36 anos e estava no seu primeiro mandato, porque ela atrapalhava a concretização de megaprojetos imobiliários ilegais que os Brazão pretendiam levar a cabo numa vasta região da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, dominada por uma milícia comandada por eles. Rivaldo Barbosa, que até ao dia do assassínio de Marielle era o diretor da Divisão de Homicídios e dois dias depois foi nomeado chefe geral de polícia do Rio, ficou encarregado de atrapalhar as investigações sobre o crime para desviar o foco das atenções para bem longe dos irmãos Brazão e de todos os outros envolvidos, quase todos ligados à política e à polícia.
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