Powell, cujo mandato como presidente da Fed termina teoricamente a 15 de maio, já disse que pensa permanecer no cargo enquanto houver um processo judicial contra ele, iniciado por uma procuradora próxima ao chefe de Estado americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse estar pronto para "demitir" Jerome Powell se este não deixar o banco central do país (Fed) em breve, aumentando a pressão dias antes da audiência de Kevin Warsh, o possível sucessor.
Powell, cujo mandato como presidente da Fed termina teoricamente a 15 de maio, já disse que pensa permanecer no cargo enquanto houver um processo judicial contra ele, iniciado por uma procuradora próxima ao chefe de Estado americano.
Jerome Powell pode, de facto, continuar a exercer funções como governador. Este mandato só termina para ele no início de 2028.
"Bem, então terei de o demitir. (...) Se ele não sair a tempo", declarou Donald Trump numa entrevista à Fox Business transmitida esta quarta-feira.
O presidente americano não pareceu disposto a interceder para que a investigação contra o responsável do Banco Central fosse abandonada.
Esta investigação foi mal recebida mesmo dentro do seu próprio campo, com alguns políticos a considerarem-na um ataque injustificado à independência da instituição monetária.
Isto criou um imbróglio que atrasa a validação pelo Senado da pessoa que Trump escolheu para suceder Jerome Powell, Kevin Warsh.
Uma comissão do Senado deve ouvir na próxima terça-feira Kevin Warsh, que conhece bem o banco central por ter sido um dos seus governadores (2006-2011).
"Estou muito otimista quanto ao facto de Kevin Warsh se tornar presidente da Fed dentro do prazo previsto", afirmou esta quarta-feira o ministro das Finanças de Donald Trump, Scott Bessent em conferência de imprensa.
Os senadores "vão encontrar uma solução", estimava algumas horas antes o conselheiro económico do presidente Kevin Hassett, durante um evento organizado pelo meio de comunicação Axios em Washington, à margem das reuniões do FMI e do Banco Mundial a decorrerem esta semana na capital americana.
Em fim de mandato ou não, Jerome Powell permanecerá no comando da Fed até que a nomeação do seu sucessor seja confirmada.
Uma estadia prolongada de Powell representaria um golpe do destino para Donald Trump, que passou meses a tentar acelerar a sua saída.
O chefe de Estado responsabiliza Powell pelo nível das taxas de juro demasiado elevado para o seu gosto, sobre as quais votam um total de doze pessoas.
Depois de o ter tratado abundantemente de "idiota", o bilionário republicano pôs em causa a sua probidade, considerando suspeita a escalada da fatura da obra de renovação da sede do Fed em Washington.
A procuradora Jeanine Pirro levou-o a sério e iniciou um processo que pode levar a ações criminais contra Jerome Powell.
Esta iniciativa desencadeou uma onda de resistência nos meios empresariais e entre a classe política, com algumas personalidades a verem-na como uma manobra de intimidação da instituição monetária.
Um membro republicano da comissão do senado encarregada de ouvir Warsh, Thom Tillis, advertiu assim que não validaria a nomeação deste enquanto o Ministério Público não encerrasse o caso.
"É realmente difícil compreender qual é o raciocínio do presidente Trump para justificar a continuação desta investigação sobre Jay [diminutivo de Jerome, NDLR] Powell se ela não fizer mais do que atrasar a confirmação de Kevin Warsh", afirmou à agência de notícias francesa AFP David Wessel, investigador da Brookings Institution, com sede em Washington.
"Se ele conseguir fazer retroceder Jeanine Pirro - e toda a gente pensa que isso está ao seu alcance - então Jay Powell sairá quando Kevin Warsh for confirmado", considerou.
O especialista considera "totalmente plausível", pelo contrário, um cenário no qual "Kevin Warsh passa a sua audiência.
Trump continua a sua luta contra Jay Powell. O Senado não vota a confirmação [de Warsh], e isso dura semanas, ou mais", acrescentou.
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