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Correio da Manhã

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Um milhão de uigures presos em campos de detenção na China

Documentos expõem pela primeira vez o funcionamento da vasta rede de centros de reeducação da minoria muçulmana.
Ricardo Ramos 9 de Dezembro de 2019 às 01:30
Vigilância policial é uma constante em Xinjiang, província chinesa de maioria muçulmana
Uigures são sujeitos a programas de doutrinação forçada na prisão
Vigilância policial é uma constante em Xinjiang, província chinesa de maioria muçulmana
Uigures são sujeitos a programas de doutrinação forçada na prisão
Vigilância policial é uma constante em Xinjiang, província chinesa de maioria muçulmana
Uigures são sujeitos a programas de doutrinação forçada na prisão
São dezenas de documentos que expõem, pela primeira vez, o funcionamento da gigantesca máquina de repressão e "reeducação" de mais de um milhão de uigures detidos pela China numa vasta rede de prisões de alta segurança na província de Xinjiang.

Divulgados no final de novembro pelo Consórcio Internacional de Jornalistas, os ‘Telegramas da China’ mostraram como nada foi deixado ao acaso, do número de fechaduras nas portas das celas aos critérios necessários para os detidos serem considerados como "reabilitados".

Datados de 2017, os documentos são assinados por Zhu Hailun, vice-secretário do Partido Comunista em Xinjiang e responsável máximo pela segurança na província que desde 2014 é palco de uma campanha massiva de repressão contra os membros da minoria islâmica que Pequim considera como "terrorista e extremista".

O foco principal dessa campanha são os campos de detenção - para a China, Centros de Educação e Formação Vocacional - que desde 2017 foram erguidos às centenas na província e que hoje em dia albergam mais de um milhão de prisioneiros - ou "estudantes", para Pequim. O objetivo dos campos é a "transformação ideológica" ou, como afirmam várias ONG, a "lavagem ao cérebro" dos detidos.

Neles, os reclusos são sujeitos a práticas de doutrinação forçada pelo período mínimo de um ano, incluindo a aprendizagem obrigatória do mandarim, direito e propaganda comunista. Os contactos com o exterior são rigorosamente controlados - um telefonema por semana para a família e uma videochamada mensal é tudo a que têm direito, e mesmo estes podem ser suspensos como castigo.

Vigiados por câmaras 24 horas por dia, os detidos seguem uma rotina predeterminada que inclui lugares fixos até na fila para o almoço. "Não serão permitidas fugas", avisa o ‘manual’ de gestão das prisões, que encoraja a "promoção do arrependimento e da confissão" como forma de reabilitação.

A China diz que os documentos não passam de uma invenção. "Xinjiang é uma região bonita, pacífica e próspera", garantiu a embaixada chinesa no Reino Unido ao ‘The Guardian’.

Tecnologia aponta suspeitos
A gigantesca máquina de repressão chinesa é alimentada pela Plataforma Integrada de Operações Conjuntas, um sistema informático que compila todas as informações sobre os habitantes de Xinjiang, da cor do carro que conduzem ao peso, altura e consumo de eletricidade. Um avançado sistema de Inteligência Artificial analisa os dados e aponta os suspeitos: numa única semana de junho de 2017, o sistema assinalou 24 412 indivíduos. Destes, 705 foram presos e mais de 15 mil foram enviados para os campos.
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