Carlos Rodrigues
DiretorPerante o surrealismo geoestratégico espalhado por Trump, criticar a Europa tem sido passatempo fácil para muitos europeus. Tarifas, invasão, compra da Gronelândia, o rol de ameaças mostra uma cadência demente. Ora, ao contrário da voz corrente, que está na moda na imprensa especializada e nas redes sociais, avalio positivamente a reação das chancelarias europeias. À histeria discursiva de Trump, a Europa tem contraposto a calma, a ponderação, sempre com o fito principal de evitar radicalizações, que seriam, em qualquer caso, dramáticas e provavelmente sem retorno. É como se os excessos de agressividade do Presidente norte-americano se tivessem transformado no principal motor da construção de uma voz alternativa na Europa. Aí, a presidente da Comissão, Von der Leyen, com o encontro, há meses, com Trump, que acalmou as tarifas, e o líder do Conselho, António Costa, têm constituído uma dupla sensata, razoável e com um discurso que acomoda os ziguezagues permanentes do poder americano sem deixar cicatrizes. Trata-se de uma espécie de via ponderada, ao jeito tão na moda em Portugal, com a candidatura presidencial de Seguro. Ser razoável e não ter estados de alma, aplicar gelo nas veias e gerir o barco sempre com a linha do horizonte na mente. E o horizonte é fácil de perceber: em novembro há intercalares na América e Trump perderá poder. Além disso, já só faltam menos de 3 anos para a Casa Branca ter novo inquilino. Sangue-frio.
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Por Carlos Rodrigues
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