Carlos Rodrigues
DiretorA participação nas presidenciais mostra que não há bem um desânimo com o sistema. Há, sim, uma vontade de encontrar quem resolva os problemas, e um certo cansaço provocado por tantos falhanços. O problema não é o sistema. São os protagonistas circunstanciais, escolhidos pelos seus pares, todos nós, para gerirem a coisa pública. A ideia feita de que o povo está farto de eleições é um chavão usado pelas elites de Lisboa para desgastar o conceito de democracia e proporcionar o reforço da matéria circulante nos cargos públicos, digamos assim. O povo não está farto de eleições, como mostrou nos últimos dois domingos, em que foi às urnas de forma massiva, em grande medida debaixo de água e a sofrer as consequências das tempestades. Pelo contrário. O povo não se importa de votar as vezes que forem precisas, e não admite sequer que se adiem, alterem ou mexam nas eleições por ‘dá cá aquela palha’, como bem aprendeu Ventura ao propor a mudança das presidenciais, e ser penalizado por isso. Do que o povo está farto é de votar tantas vezes, de escolher sucessivamente, de trocar de eleitos e de representantes, e os problemas não se resolverem, os políticos não colocarem os princípios ao serviço do bem coletivo. Isso, sim, cria a fadiga da democracia, que consiste muito mais na fadiga dos eleitos que na fadiga dos votos. Pensemos nisto da próxima vez que ouvirmos alguém vender a ideia de que estamos fartos de eleições.
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Por Carlos Rodrigues
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