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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"O processo de ‘venturização’ da AD parece estar em curso acelerado"

20 de junho de 2026 às 00:32

Os sinais de fumo enganam. Não se concretizou a aliança entre a AD e o Chega, apesar das declarações de Hugo Soares, que se revelaram imprudentes, e que vão envelhecer mal. O pacote laboral, que estava moribundo desde o início, morreu. Acabou uma revisão laboral que era inútil, e que foi um tratado de como não se devem fazer as coisas em política. Sempre me pareceu que não faria sentido que Ventura desse o primeiro sinal de apoio substancial a Luís Montenegro e à AD na mais impopular lei desde a revisão da TSU que encheu as cidades do País contra Passos Coelho. Na hora H, o líder do Chega recuou, e obrigou os sociais-democratas a uma derrota humilhante. Primeiro, mostraram-se disponíveis a negociar com o partido de Ventura, contra as principais vozes dos sociais-democratas, como Carlos Moedas e Pedro Duarte. Depois de cederem no “não é não” e negociarem com o Chega, acabaram sozinhos no altar, abandonados por uma noiva que parece convencida que pode tomar o lugar do parceiro. Ventura olhou para as sondagens e para a sociedade, que lê como ninguém, e fechou as portas ao entendimento. Fez-se história: o líder da extrema-direita levou o líder da central sindical comunista às lágrimas de felicidade. Trata-se de mais uma etapa original do processo de ‘venturização’ da AD que parece estar em curso nos desorientados corredores do poder.   

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