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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Mercenários da política

25 de janeiro de 2024 às 00:30

Não me incomoda quem muda de opinião. Quem sobre determinado assunto hoje pensa uma coisa e ontem pensava outra. Mais informação, dinâmica das nossas experiências de vida, circunstâncias várias conduzem-nos muitas vezes a alterar o nosso ponto vista, a nossa maneira de ver as coisas. Já em tempos, dizia Mário Soares, só os burros não mudam. E assim se faz a vida. Mas avaliemos outras situações. Aquelas cujos intérpretes, em linguagem popular, são designados de vira-casacas. Os oportunistas. Aqueles que por falta de personalidade ou puro taticismo são uns troca-tintas. Quando à boca de umas eleições de forma descarada e despudorada há quem mude de partido só e apenas porque nesse partido encontra espaço para satisfazer a manutenção dos seus lugares políticos isso não é uma simples mudança de opinião, nem tão-pouco algo que se possa classificar. É a prova dos nove de que os partidos políticos albergam e promovem cidadãos que colocam os seus míseros interesses pessoais à frente dos interesses que os deviam mover. Há muito que todos sabemos que a meritocracia, a generosidade e a vontade de servir não são o forte do capital humano dos partidos políticos. Vinga a “mercearia”, o caciquismo e a capacidade de angariar votos para controlar as estruturas internas e por sua vez para se controlar o aparelho do estado através da colocação de servis e interesseiros militantes. Também há quem nos partidos e na política esteja por convicção com uma enorme vontade de servir e seja injustiçado pela facilidade com que se critica e difama. Mas é dos sem caráter que estou a falar. Dos enganadores. Não incluo claro os que mudam porque querem abraçar novos projetos. Escrevo sobre os que mudam para continuarem a ter o seu tacho. Em nome do povo. E se a falta de vergonha de quem o faz expõe a miséria humana a falta de coerência de quem os aconchega, os recebe e os promove diz bem da matriz que preside a esse partido político. Olha para o que digo não olhes para o que eu faço. E o que esse partido faz é tão-só fomentar o que de mais rasca há na vida política. Dar guarida aos que estão na coisa pública por vaidade e para salvaguardar os seus mesquinhos interesses pessoais. É bom para o partido que se vê livre desta gente, é mau para o partido que os compra. Combater por ideais políticos contratando um punhado de mercenários não é um bom princípio de vida. Nem uma boa referência.

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