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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Os mínimos

27 de outubro de 2016 às 01:45

Os argumentos do governo e da maioria de esquerda para deixarem as pensões mínimas de fora do aumento extraordinário de até dez euros, previsto no Orçamento para 2017, não são justos nem sérios.

O primeiro argumento é que essas pensões, as mais baixas de todas, foram actualizadas nos últimos anos pelo governo anterior. Por isso, esses cerca de um milhão de pensionistas são agora castigados, como se os tempos de absoluta emergência social que se viveu naquele período não justificassem tal actualização ou como se agora essas pessoas já não precisassem do aumento.

O segundo argumento é que, nas palavras do primeiro-ministro e do ministro da Segurança Social, falar de pensões mínimas não é falar de pensionistas pobres. São justificações incompreensíveis.

Não sei como António Costa e, sobretudo, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa explicariam olhos nos olhos a um pensionista beneficiário de uma pensão mínima que ele não merece ser aumentado como os outros. E pior do que isso: como é que lhe provariam que é justo não aumentar pensões de duzentos euros e, ao mesmo tempo, acabar com a Contribuição Extraordinária de Solidariedade sobre as pensões de 5 a 6 mil euros por mês.

Tendo de fazer opções, o mínimo que se exigia para haver um mínimo de justiça seria manter a CES para se poder aumentar todas as pensões, incluindo as mais baixas. Mas não. A opção do governo é, por isso, vergonhosa e só prova que a autoproclamada hipersensibilidade social destes partidos tem dias.

Tem dias e tem meses, porque o aumento extraordinário só chega em Agosto, mesmo a tempo das eleições autárquicas. Claro que dizem que não tem nada a ver... Em todo o caso, convém não esquecer que foi o governo socialista, de que fazia parte o ministro Vieira da Silva, que congelou todas as pensões em 2010 e que as manteve congeladas no memorando de entendimento.

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