A minha sobrinha Maria Luísa, a eleitora esquerdista da família, acha que a periódica capacidade de alguém se "escandalizar" (ela entende que estou escandalizado quando finjo sorrir, encolho os ombros e balbucio qualquer coisa acer- ca de não estar escandalizado) prova a hipocrisia da "civilização judaico-cristã" e das gerações que ainda usavam fato de três peças e, além disso, sofrem da "falta de mundo", entendendo como "mundo" as grandes capitais da Europa moderna e das Américas que se aguentam como podem. Nessas circunstâncias explosivas, Maria Luísa comporta-se como uma antiga revolucionária que gostaria de ter praticado o regicídio ou proibido as procissões da Senhora da Agonia – embora depois regresse a uma certa placidez contemplativa amaciada pela visão da Ínsua e do mar diante da baía de Moledo. Nessa altura, elogia o arroz de pato, a torta de laranja ou o empadão de peixe à mesa do jantar. O nosso clima ajuda bastante; no fim de contas, para padrões actuais e pessoas que sonham com a Tailândia ou as Caraíbas, Moledo é frio e obriga a vestir uma camisola nas primeiras horas da manhã.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
A olhar o nevoeiro entre as agulhas dos pinhais.
A mesma Pátria chorosa volta a não ler o escritor tão amado que durante dois dias foi o mais folheado dos seres humanos
Aguardam que o Professor Marcelo regresse ao “comentário político” enquanto o Dr. Seguro arruma o Palácio de Belém.
No século da inteligência artificial sou um sobrevivente do tempo em que ainda duvidávamos da inteligência humana
O Tio Alberto gostava de café “con unas gotitas” e tomava-o nessas peregrinações plebeias pela Galiza.
Achava que os rios eram interessantes consoante a temporada da lampreia ou da truta
O Correio da Manhã para quem quer MAIS
Sem
Limites
Sem
POP-UPS
Ofertas e
Descontos